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Produção Animal

Sistemas de iluminação em vacarias

17/12/2021

1. Tipos de lâmpadas
LED. São o padrão actual nas instalações, atendendo aos baixos consumos. Nos estábulos mais antigos, predominam as lâmpadas com o formato tipo régua ou tubular. Normalmente estão presas às asnas, da estrutura do telhado, ou suspensas em cabos de aço, estendidos entre os pilares de suporte do mesmo. Raramente existem em número suficiente para conferir os 150-250 lx necessários aos animais, sem zonas de penumbra. Conferem luz suficiente para nós, humanos, nos orientarmos dentro do estábulo. É frequente existir uma lâmpada isolada que é deixada durante a noite como luz de presença. A nova tendência em iluminação de estábulos são as campânulas. Os preços destas variam consideravelmente entre os 70-350€, conforme as características escolhidas. Os pavilhões e armazéns industrias optam quase sempre por este tipo de solução.

2. Altura da instalação
A capacidade de expor um animal aos 150-250 lux está intimamente relacionada com a altura de fixação das lâmpadas. Lâmpadas colocadas muito altas podem não garantir a luminosidade necessárias ao nível do animal, apesar de aparentemente iluminarem o chão. Recomendo a procura dessa informação na ficha técnica das lâmpadas pesquisadas. Sendo que estamos a construir os estábulos para bovinos com a recomendação de um pé de alto de, pelo menos, 5 metros para favorecer a ventilação, a altura a que as lâmpadas estão do chão é considerável. A altura também vai condicionar o diâmetro da área de incidência da luz, logo o número de lâmpadas necessárias para cobrir toda a área do pavilhão sem zonas de penumbra.

3. Eficiência das lâmpadas
Nas fichas técnicas das lâmpadas, aparecem quantos lúmens possuem e a sua potência.  Para avaliar a eficiência, devemos dividir o número de lúmens pela potência. Quantos mais lúmens existirem por watt, mais eficiente será a lâmpada.

4. Número de horas de vida da lâmpada
Algumas lâmpadas são baratas, mas possuem poucas horas de vida esperada, face a algumas mais caras. Por isso, cuidado na avaliação das lâmpadas. Não descure este indicador.

5. Material da lâmpada (IP)
A esmagadora maioria das lâmpadas do tipo campânula terá uma classificação IP65, sendo adequadas para serem instaladas profissionalmente num armazém/ pavilhão. No caso dos nossos estábulos, o ambiente tende a ser mais agressivo do que nesses contextos. Por causa disso, a marca dinamarquesa Danish FarmLight possui a única campânula IP69 do mercado, para ambientes corrosivos. Pelo menos, não encontrei mais nenhuma. Todavia, optei por campânulas IP65 para o meu estábulo novo, com estrutura em plástico, para resistir à corrosão. Esse é outro aspecto a ter em conta: o material do corpo da campânula. Existem várias soluções e vários adereços, como as abas das campânulas que direcionam o feixe de luz. Deve-se ter em conta que campânulas sem abas tendem a ter uma área de incidência da luz maior.

6. Cor da luz
Nas salas de ordenha, é desejável uma luz de cor branco-frio, a qual nas fichas técnicas aparecerá como 5000k, pois facilita a observação do leite e o trabalho dos ordenhadores. No estábulo, podemos optar por uma luz de cor branco-neutro (4000k). Nas 8 horas de descanso dos animais, o estábulo deve estar em escuridão ou com uma luz de presença pouco intensa. Em alternativa, se pretendemos uma abordagem tecnológica de topo, temos a solução mais avançada do mercado que é aquela oferecida pela Lely. Se tivesse de fazer uma candidatura ao PDR 2020 hoje, para construir um estábulo novo, não hesitaria em colocar o sistema de iluminação desta marca. Basicamente estamos perante uma solução que aplica todo o conhecimento científico existente, dando ao produtor um controlo automático da exposição do animal à luz.

A solução é personalizada para cada estábulo e imita o ciclo diurno e noturno desejável: 16 horas de luz e 8 horas de descanso. Tenho vindo a evitar chamar às 8 horas de descanso de 8 horas de escuridão desde o início do artigo e é propositado. Na verdade, não necessitam de ser de escuridão porque o cérebro da vaca, tal como o nosso, interpreta a luz vermelha como escuridão. Assim, nas 8 horas de descanso o pavilhão pode estar iluminado com luz vermelha. Os animais conseguirão descansar na mesma, sem indução de stress, e, nós humanos, conseguiremos caminhar, se for preciso alguma intervenção no pavilhão. Não será necessário acender lâmpadas de luz branca e interromper a “escuridão”.

Estas 8 horas de descanso não devem ser interrompidas. A Lely, que não me pagou para escrever isto, tem lâmpadas desenvolvidas especificamente para este propósito que fazem os dois tipos de luz branca-vermelha. Além disso, no estudo de cada estábulo, vão indicar a altura a que devem ser colocadas e em que posição. As lâmpadas que propõem têm mais de 100 000 horas de vida esperada, um record para o qual não encontrei concorrente à altura. O investimento é considerável, mas com os apoios dos fundos comunitários do PDR 2020, torna-se bem mais em conta.

Na bovinicultura, a tecnologia e a ciência andam de mãos dadas. Ao nível da iluminação também. Talvez seja das áreas onde estamos mais atrasados, em termos de implantação nos estábulos. Uma boa iluminação é um factor crucial, na potenciação da produtividade de um efectivo.

 

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