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Reta final do ano confirma as previsões de quebra

09/01/2023

Um final do ano já com registo negativo

"Prevejo um ano ainda bom, com muitas vendas até setembro mas, após esse mês, o mercado deve cair a pique pois os tratores a ser entregues já o terão sido." A previsão feita por Fernando Garcia, Diretor-geral da CNH Industrial, e demais especialistas na edição de maio não podia estar mais acertada: o balanço das matrículas de tratores agrícolas chega ao fim de novembro com registo negativo, quando comparado com o período homólogo do ano passado, e cairá mais em dezembro. O cenário de incerteza continua a ser, por isso, uma evidência.

Após o resultado positivo residual de outubro, já se esperava que novembro e dezembro trouxessem números negativos, ainda que ao cabo do décimo primeiro mês, a quebra seja de 5 tratores (0,09%) em relação a janeiro/novembro de 2021. Com os preços das matérias-primas agrícolas a registarem uma subida depois do verão devido ao elevado custo dos fertilizantes, ao agravar das condições meteorológicas e ao efeito tardio do aumento dos preços de energia, e com o stock escoado pelas entregas atrasadas do último ano, o cenário de incerteza tem crescido, esperando as marcas a reação imediata do Governo, para que os apoios necessários à revitalização do setor se efetivem em 2023.

A "imprevisibilidade" do novo ano, de que João Pimenta, Diretor-geral da Ascendum Agro (Valtra), fala na edição de dezembro d'abolsamia veio para ficar, o que dificulta não só a vida ao agricultor como também às marcas. O atual contexto europeu - marcado pela Guerra na Ucrânia, subida de preços e agravamento das alterações climáticas - retrai os agricultores quando toca a investir em máquinas, e nem o crescimento da Solis e outras marcas como Kubota, John Deer ou Farmtrac evitaram a queda na generalidade. Tal como era esperado, pois já sucedera em agosto (439), setembro (402) e outubro (478), novembro foi o quarto mês em que foram matriculados menos de 500 tratores - este último ficou mesmo abaixo dos 400, sendo registados apenas 353 -, número que havia sido superado em cada um dos primeiros sete meses de 2022. 

Nota: Expurgámos os ATV e UTV homologados sob a categoria T e os Telescópicos. | Origem: IMT / Fonte: ACAP

Marcas
A quebra, desta vez, fez-se sentir também na Solis: a marca indiana registou 27 tratores em novembro, número muito abaixo da média feita nos primeiros dez meses do ano (68), deixando assim a New Holland aproximar-se. No final de outubro a Solis tinha mais 29 máquinas registadas do que a marca italiana e no final de novembro o avanço reduziu para metade (15). Com 704 tratores registados no final de novembro, a barreira dos 800 já será uma miragem para a Solis. Entre os cinco primeiros, notam-se as quebras da New Holland (12%) e da Deutz-Fahr (24%) em relação ao período homólogo de 2021, ao contrário de John Deere e Kubota que já ultrapassaram ambos a barreira dos 500 tratores matriculados com um mês por apurar dados.

Unidades vendidas por escalão de potência
Analisando os segmentos de potência mais vendidos, o escalão 51-120cv confirma novamente a preponderância no mercado português, justificada pelos apoios do Governo para a Renovação do Parque de Tratores Agrícolas – 51,58% dos matriculados -, ficando o escalão abaixo dos 50cv mais uma vez aquém dos 40%. Quanto aos segmentos de maior potência, o de 121-200cv aproxima-se da marca de 8%, enquanto o escalão acima de 200cv matriculou apenas 3 tratores em novembro, número bem abaixo da média mensal (7,77%) registada até outubro, chegando às 80 unidades no fim de novembro.


Marcas e modelos mais vendidos, classificados por segmentos de potência

Segundo os dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), entre janeiro e novembro de 2022, foi a Solis que matriculou mais tratores e que contou com o modelo mais vendido: o Solis 26 4WD Stage V registou 313 unidades transacionadas (no final deste mês, este modelo representa 44,46% do total dos modelos Solis), contabilizando mais 133 unidades do que o Farmtrac 26 4WD, segundo modelo mais matriculado no fim de novembro. Quanto às marcas líderes nos diferentes escalões de potência, a Solis fortaleceu o domínio abaixo de 50cv, com 489 tratores matriculados novos, mais 232 do que a Kubota. No escalão 51-120cv, sobressai a New Holland, chegando aos 566 tratores matriculados, voltando a situar-se a Kubota no segundo lugar mas já a 266 máquinas de distância. Já nas potências mais elevadas, a John Deere voltou a afastar-se da Valtra: nos 121-200cv, a marca norte-americana alargou a vantagem (180 contra 52), enquanto no escalão acima dos 200cv soma 33 tratores matriculados contra 17 da marca finlandesa.


Registo de Reboques

O mercado dos reboques chega ao final de novembro com um cenário evidente de quebra, o qual se acentuou na reta final do ano: se no final de outubro, as marcas haviam matriculado menos 55 reboques em relação ao período homólogo do ano passado, esse número 'disparou' para 195 ao cabo de onze meses, tendo as quatro primeiras marcas e cinco das primeiras seis caído nos registos. No Top 6, o destaque vai para a Massil, tal como já acontecera em Outubro: de 81 reboques matriculados no fim de novembro de 2021, passou para 139 no mesmo período deste ano. Rates e Ja&ma Reboal tiveram quebras residuais, enquanto Herculano e Galucho foram, respetivamente, a segunda e terceira marca que mais caíram em relação a janeiro/novembro de 2021 mas encontram-se nas duas primeiras posições da tabela de reboques matriculados. No total, a quebra é de 11,6% - menos 195 reboques em relação aos registos de janeiro/novembro de 2021.

Linhai mais líder nos ATV’s e CF Moto 'foge' à BRP nos UTV’s

Numa análise ao mercado de vendas de ATV’s (Veículos todo o terreno) e UTV’s (Veículos utilitários multitarefas) nos primeiros onze meses do ano, a Linhai reforçou a liderança de vendas de ATV’s: matriculou mais 61 veículos do que no mesmo período do ano passado, deixando a CF Moto sensivelmente à mesma distância, ainda que esta até tenha melhorado os registos. Nos UTV’s, o cenário já é diferente: depois da ultrapassagem à BRP em outubro - houve empate técnico em agosto e a BRP liderava em setembro –, a CF Moto 'descolou' da concorrente, tendo agora mais 7 veículos matriculados do que a marca canadiana, quando no fim de outubro tinha mais 3. Nota para o crescimento do mercado dos veículos utilitários em relação à mesma altura do ano passado: nos ATV, há mais 20,90% de matriculados e nos UTV’s a subida é de 38,27%, embora ambos tenham registado quebras desde agosto.

 

Queda em Espanha chegou aos 11,7% no final de novembro de 2022

O Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação de Espanha divulgou os seus números relativos a matrículas de máquinas agrícolas em novembro de 2022 e os números seguem negativos: quebra de 12,82% em relação a novembro de 2021. Já quanto ao período janeiro-novembro, a situação não é muito melhor: até 30 de novembro de 2022 haviam sido registados 9.089 tratores, o que representa uma quebra de 11,7% em relação aos primeiros onze meses de 2021.

Segundo a revista espanhola Profesional Agro, nas máquinas automotrizes a quebra em relação ao período homólogo do ano anterior é de 2,36%, registando-se o cenário mais negativo nas máquinas rebocadas ou suspensas (-9,25%) ainda que o mês de novembro tenha sido positivo, e igualmente nas matrículas de reboques agrícolas, onde a queda é ainda mais acentuada (-23,42%).

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