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Matrículas de tratores agrícolas novos crescem 11% em 2021

23/03/2022

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O ‘boom’ esperado e um regresso a… 2017
A quebra residual que o mercado português dos tratores agrícolas registara de 2019 para 2020 não foi mais do que um percalço, após superado o maior impacto da pandemia. E 2021 confirmou o ‘boom’ que o fim de 2020 já indiciava: foram matriculados 5.913 tratores novos, mais 587 do que em 2020, representando um crescimento total de 11% na venda de tratores agrícolas novos. Numa análise aos segmentos de potência mais vendidos, 2021 traz uma novidade: depois de três anos seguidos em que o escalão mais baixo de potência (abaixo de 50cv) reinou em vendas no mercado português [ver quadros], desta vez, os tratores de 51-120cv atingiram os 47,23% de vendas, superando os 43,72% do escalão abaixo de 50cv.

É um regresso a 2017 pois, até aí, o escalão de 51-120cv liderava há vários anos seguidos em Portugal e, se é certo que em 2021 este novo líder não mostrou a força que tinha em 2017 (aí registou 51,31% das vendas), a verdade é que o ano passado veio inverter o triénio de maiores vendas do escalão abaixo de 50cv na agricultura portuguesa. O atual cenário começou a desenhar-se em 2018 e acentuou-se nos anos em que a pandemia impôs a sua lei (2019 e 2020). Quanto aos segmentos de maior potência, o de 121-200cv voltou a registar mais de 400 matriculações em 2021 - o que já tinha acontecido em 2018 e 2019. Em relação ao escalão de mais de 200cv, que chegou às 94 matriculações em 2019, quebrou nos últimos dois anos, tendo registado 84 matriculações em 2021.
 

Marcas
A New Holland continua a destacar-se da concorrência: manteve a bitola elevada de 873 tratores transacionados e terminou 2020 com 14,76% de quota de mercado. Ainda que este valor seja menor em relação a 2020, foi conseguido o alargamento do fosso para a concorrência, também devido à quebra que a Kubota registou (9,2% de quota contra os 12,5% de 2020). No 2º lugar está agora a Solis: a marca indiana apresentou um aumento de vendas de 91,53% em comparação com 2020 e parece bem lançada. Atrás da Kubota surgem Deutz-Fahr e John Deere, que viram a quota de mercado descer, embora tenham aumentado as vendas.

- Veja os quadros -

 

Marcas e modelos mais vendidos por segmentos de potência 
Segundo os dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), apesar de a New Holland ter matriculado mais tratores, foi a Solis que teve o modelo mais vendido: o Solis 26 4WD Stage V registou 313 unidades transacionadas, mais 200 do que os que registaram o segundo melhor número - o LS R41 e o Farmtrac 26D 4WD, com 113 unidades. Já quanto a marcas líderes nos escalões de potência, abaixo dos 50cv o destaque vai para a Solis: 414 tratores matriculados novos, quase mais 100 do que os 317 da Kioti.

No escalão 51-120cv, o cenário muda de figura: aqui mandam a New Holland (568 tratores matriculados novos) e a Deutz-Fahr (431), surgindo a concorrência mais próxima a mais de 180 máquinas de diferença. O escalão 121-200cv é a ‘praia’ da John Deere: 163 tratores vendidos. No escalão acima de 200cv, a marca norte-americana também lidera mas de forma bem menos confortável: 33 tratores novos matriculados, contra 28 da Valtra.

Março foi mês mais proveitoso
Depois de um 2020 menos proveitoso em termos de vendas, o ‘boom’ esperado para 2021 teve efeitos ao cabo do primeiro trimestre. Do total de 5.913 tratores matriculados, 704 foram vendidos em Março, o melhor mês de um ano que viveu ainda outros três meses com matriculações acima das cinco centenas: Junho (606), Outubro (551) e Dezembro (541). A reta final do ano trouxe, por isso, boas notícias para as marcas e a expectativa para 2022 é que o cenário positivo continue.

CF Moto destaca-se nos ATV’s e UTV’s
Analisando o mercado de vendas de ATV’s e UTV’s em 2021, há uma marca que sobressai entre as restantes: CF Moto. Embora veja a Linhai na liderança das vendas de ATV’s – 639 unidades, com um crescimento de 38% em relação a 2020 – a CF Moto também cresceu (22%) neste segmento e reforçou ainda a liderança no Top de Vendas de UTV’s, com 124 unidades transacionadas (aumento de 70% em relação a 2020), mais 47 unidades do que a BRP. Em números gerais, o mercado de vendas de ATV’s e UTV’s cresceu em 2021: o primeiro registou 1.337 vendas contra as 921 de 2020 (+45%) enquanto o segundo atingiu as 417 vendas contra as 386 de 2020 (+8%).

Reboques 

No que diz respeito aos reboques, registou-se uma quebra de 150 unidades matriculadas em relação ao ano de 2020, correspondente a 7,5%. A reta final do ano trouxe boas notícias, com duas empresas do Top 5 a superarem mesmo os números registados no ano anterior: Herculano e Ja&ma Reboal. Os primeiros discutiram mesmo até ao fim a liderança de vendas com a Galucho. Ainda assim, e tal como já se registava em Outubro, a Galucho é a que mais matricula mas também foi a que registou maior quebra em relação a 2020 entre o Top 5, com menos 31,4%. Essa razão prende-se, como explicou Jorge Carvalho, diretor comercial da Galucho, a abolsamia com o comportamento das empresas no final de cada ano civil: “Quer no último mês de 2020, quer nos dois primeiros meses de 2021, não pedimos matrículas. E agora, em mês e meio de 2022, já pedimos 64 matrículas. Tem muito a ver com a estratégia das empresas no virar de cada ano.” Referência final para Herculano e Ja&ma Reboal: se a empresa de Oliveira de Azeméis cresceu 24,4% nas vendas em relação a 2020 e ficou com a quota de mercado (23,8%) ‘encostada’ à da Galucho, a empresa de Famalicão apresenta um crescimento de 123,1%: vendeu mais 96 reboques em 2021 do que os 78 que transacionara no ano anterior.

 

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