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XVI Congresso Nacional do Milho junta o setor e exige uma PAC “coesa e justa”

18/02/2026

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Ao longo de dois dias (11 e 12 de fevereiro), o XVI Congresso Nacional do Milho e o 2.º Encontro das Culturas Cerealíferas, colocaram em cima da mesa a relação entre a agricultura europeia, os acordos comerciais e a geopolítica.

A preocupação, repetida em várias intervenções, é conhecida dos produtores: a UE não pode exigir padrões cada vez mais apertados aos agricultores europeus e, ao mesmo tempo, aceitar importações produzidas com substâncias e práticas que, no velho continente, são limitadas ou até proibidas, sob pena de estar a fomentar uma concorrência desleal e a pressionar os preços à produção.

Essa ideia surge associada tanto ao dossier Mercosul como ao impacto das entradas de produtos ucranianos, para as quais o setor pede mecanismos de salvaguarda “eficazes” quando há distorções no mercado.

40 anos de adesão de Portugal à União Europeia

O encontro teve também uma leitura política e estratégica, no ano em que se assinalam 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia, com um painel dedicado à integração europeia e ao que se espera de Bruxelas na próxima fase.

A mensagem transversal foi de absoluto pragmatismo: “estamos melhor na UE do que fora”, mas é exigida uma Europa mais rápida a resolver os problemas concretos do setor produtivo, em vez de acrescentar camadas de complexidade regulamentar que asfixiam os agricultores e produtores.

No capítulo técnico e económico, um dos debates centrais foi como aumentar áreas e rendimento na produção de cereais em Portugal, cruzando visão a agronómica, os instrumentos de apoio e a execução administrativa, com participação de entidades do setor e da administração pública.

Aqui, a ANPROMIS insiste num ponto: sem rentabilidade não há aumento sustentado de área, e é por isso que volta a defender o reforço da atualização dos instrumentos de mercado, incluindo preços de intervenção para cereais.

A água como um dos eixos dominantes

A água foi outro eixo dominante. A estratégia “Água que Une” apareceu como quadro de referência para pensar armazenamento, distribuição e eficiência do regadio, com o setor a defender que os investimentos devem avançar com visão de médio prazo, antecipando ciclos de escassez e dando estabilidade às explorações, sobretudo nas zonas onde o milho e outras culturas cerealíferas são estruturantes nas rotações.

O segundo dia foi mais focado nos desafios técnicos da produção cerealífera, com um painel dedicado aos problemas do campo e às soluções (da genética às práticas agronómicas, passando pela proteção das culturas), num programa que procurou aproximar a discussão política das decisões que o agricultor toma.

O congresso encerrou com uma sessão institucional que contou com representantes associativos e membros do Governo, num fecho marcado pelo apelo a uma PAC “coesa e justa” e por uma ideia simples, mas estratégica: sem cereais, a soberania alimentar fica mais frágil e, sem condições para produzir, o país perde capacidade produtiva e conhecimento instalado no território.

Nas conclusões, e em jeito de resumo, a ANPROMIS, a ANPOC e a AOP defendem uma PAC com um financiamento robusto, o reforço dos Pagamentos Ligados e a implementação urgente da Estratégia +Cereais, apontando ainda a água e o regadio como peças-chave para aumentar as áreas e, acima de tudo, a produtividade.

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