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Gestão de parque de máquinas

Há um Pé-Leve que carrega forte e a sua vida dava um filme

12/08/2019

Seguem tratores na Estrada da Erra, deixada para trás a Praça de Toiros, que depois enfiam para os campos da charneca de Coruche, levantando o pó à passagem de tantos rodados dos conjuntos trator-reboque carregador. Ali vem uma armada Herculano e o que a espera é trabalho bem pesado. Num dos pivot alugados em que vai fazer silagem, já lá está uma banheira de 18 toneladas, a que acrescem outra igual, e uma maior, com três eixos, de 24 ton. Vamos ter trabalho para 60 ton. Coisa dita simples para o Pé-Leve, agricultor, produtor de leite e de carne bovina. Estamos em Coruche, no Ribatejo, mais que uma província, um microcosmo agrícola, onde parece que tudo acontece.

A história começou com uma só vaca, em 1988, ordenhada à mão, naturalmente, por Avelino Pé-Leve, com exploração agrícola homónima, cuja designação já vem do tempo do seu pai. A casa não fica distante do Intermarché de Coruche. “[O leite] Ia levá-lo ao posto público com uma motorizada, com um pote à frente do depósito. Depois comprei uma ordenha de um pote de 50 litros. Depois uma de dois potes. Mais tarde realizámos obra e fizemos uma sala de ordenha de quatro pontes para 20 vacas”, diz Avelino, que se prepara para tomar de assalto o tema da maquinaria para os trabalhos de campo que então o auxiliou a crescer como agricultor. E muito!

“Na altura, só tinha um trator. Era do meu pai. Carregávamos a silagem à mão, não tínhamos unifeed, não havia nada. Depois comprei outro trator e só depois avançámos para o unifeed, necessário para a vacaria.”

 

“Costuma-se dizer, quando se fala de automóveis, que quem entra na Volvo
já não sai. Com os reboques da Herculano passa-se a mesma coisa”



 

Grandes Herculanos
Chegou mais um triturador/misturador de alimento para os animais, anos mais tarde, e tudo foi continuando a crescer, a crescer. “A partir de 2002 é que a coisa ficou séria. E começou a aventura com os Valtra. O primeiro foi em 2002, o segundo em 2004, o terceiro em 2006 e mais um em 2008. Estes que por aqui estão foram comprados já usados, nos últimos quatro anos. Da Herculano, o primeiro reboque que comprei foi um espalhador de estrume, daqueles de um eixo. Já tem para aí uns seis anos, mas resiste estoicamente. E depois, sucessivamente, temos vindo a aumentar o parque, até chegarmos a este, de três eixos e 24 toneladas”, enumera Avelino, enquanto dá instruções aos pessoal para o acompanhamento da ensiladora que pica o segundo corte da forragem, tudo azevém.

Tal forragem encontra correspondência com os números que haveria de desfilar: “Neste momento temos 550 animais. Somos quatro na sala de ordenha, comigo e mais a minha mulher. Criamos vitelos para o Pingo Doce e constituímos uma cooperativa, em 2014, e é assim mesmo que se chama, Coop2014, somos mais de 20 produtores que vendemos diretamente à Lacticoop, do grupo Lactogal, a quem entregamos perto de 150 mil litros/dia.”

Gostamos mais do azevém e é o que produzimos. Em termos de proteína é melhor e faz um silo mais homogéneo do que as misturas. Usamos ração no unifeed, apenas para completar. Mas somos nós que fazemos a ração.”
O terreno onde Avelino Pé Leve está a fazer silagem não lhe pertence, mas é alugado. Ao todo, aluga 100ha. Em parcelas próprias distribuídas por Coruche, nos Campos, no Couço, e também na Agolada, tem 30ha de sua propriedade. “Fazemos forragem e milho. Cortamos sete milhões de kg por ano para o gado. Todos os fenos e silagens vão para a alimentação dos animais. Temos um efetivo grande, e engordamos os animais para o Pingo Doce. Só engordamos os vitelos das vacas. De leite produzimos à volta de três milhões de litros/ano”, dita o amigo Avelino, de cor, como de cor parece saber toda a lista de maquinaria da exploração.


HERCULANO EM VANTAGEM
Mas então, a Herculano parece estar em vantagem sobre as demais. Ou não? A resposta é desarmante: primeiro avança uma explicação basilar, depois abre os braços e revela que tem mais paixões. “Porque são máquinas que servem bem e estamos satisfeitos. Costuma-se dizer que quem entra na Volvo já não sai. Com os reboques da Herculano passa-se a mesma coisa. São marcas que nos dão garantia, que resolvem os problemas que possam aparecer. Trabalho com um dos seus concessionários há muito tempo, são pessoas de confiança. Se nos servissem mal já não negociávamos com eles, isso é certo.”


“Tenho mais reboques, mas mais pequenos. No que se refere a banheiras é tudo Herculano. E está tudo impecável, pois temos extremo cuidado com o material quando acabamos as campanhas, esta e a do milho. Por isso, é tudo bem lavado. Dantes, quando comprava serviços agrícolas não tinha que me preocupar com isso. Agora é diferente.”

A ensiladora em trabalho recolhe e pica o produto do primeiro corte feito pela condicionadora. “Eu próprio, quando comecei, contratava prestação de serviços. Mas depois fui-me equipando. Comprei aquela máquina usada [a ensiladora], há três anos. Estava nova. No ano passado cortou um ror de toneladas sem ter uma avaria. Tenho muitas alfaias, um semeador de linhas, juntadores, espalhadores de feno. Os fornecedores que me dão assistência são de muita confiança e isso é muito importante neste ramo da agricultura, a confiança que temos uns nos outros.”
 

 

 

A necessária Robustez
Na hora de renovar o parque, Avelino Pé-Leve recorre a quem conhece bem. Quase todos assim o fazem. Mas volta a surpreender pelas suas convicções: “Eu e a tecnologia muito evoluída não nos entendemos muito bem. Não sou muito apologista disso. Prefiro equipamentos robustos. A verdade é que, ultimamente, temos comprado mais máquinas usadas a amigos, gente por quem tenho muita amizade e estima. É que isto está difícil. Eu vou ficando com os tratores que os outros já não querem, pois têm poucas horas. Há dois anos emprestaram-me este trator que só tinha 4800 horas. Pois ele está farto de trabalhar e não deu qualquer problema. Também tenho comprado alguma coisa em França, e na Holanda, diretamente aos concessionários. Corre tudo muito bem e nem precisamos de lá ir.

Com os homens da Herculano é que há, também, uma excelente relação, não só de colaboração, mas também de grande amizade. Quando precisam de algum material, ainda novo, para mostrar nas feiras, até levam o meu equipamento, seja uma plataforma, seja alguma banheira. Há uma ótima colaboração. Mesmo quando se trata de alterações que eu proponho, os seus engenheiros vêm ver, observam bem, tiram muitas fotografias e se for caso disso procedem a alterações para a construção dos futuros modelos. É patente minha [risos]. Gosto dessa forma de proceder.


“Quando a Herculano precisa de algo ainda novo para mostrar nas feiras até leva o meu material, seja uma plataforma, seja alguma banheira. Há uma ótima colaboração“


Confiar nas marcas
Não será preciso ter mecânica própria, atendendo a que dispõe de um parque tão grande e diverso? “Para quê? Isto não dá problemas. Mas, pronto, quando existe alguma coisa vem alguém da concessão ou da Herculano e há assistência rápida, e na hora. O meu filho Ricardo também percebe disto. Ele é técnico de construção civil, e ainda foi para Tomar para engenharia civil, mas como ficou a trabalhar comigo... Agora, ele cria cavalos lusitanos e vende para o estrangeiro e anda a pensar em fazer engenharia agrícola. Fez um curso de inseminação nos Açores. É ele que trata do assunto, apesar de ter muito jeito para mecânica. Por vezes resolve os problemas pelo telefone. Devias era ser veterinário e ajudavas cá na casa, digo-lhe eu. Mas ele não quer. Prefere andar comigo no campo.”
Avelino Pé-Leve observa os trabalhos no campo e dá despacho aos três reboques já bem carregados de silagem. Está concluída a tarefa. Dialoga com o proprietário do campo, e combinam como irão proceder à rega com o pivot e entendem-se quanto aos passos seguintes: vai ser preciso passar grades pelo terreno para preparar uma nova sementeira, mas agora para o milho.
Mas depois volta a atirar, convicto: “Uma coisa é certa: esta malta nova tem que se habituar a trabalhar. Há cada vez mais engenheiros a trabalhar em vacarias e com os tratores. Se de trator anda-se tão bem como de carro, pois tem ar condicionado, suspensão e banco pneumáticos. Tenho oferecido boas condições para trabalho na vacaria, mas rapidamente vão embora. O problema é que todos querem ir trabalhar para os computadores e ninguém quer ficar no campo. Mas isto é preciso fazer.”




O sonho era ser veterinário
Muitos homens sonham, outros são mais terrenos. Avelino também sonhou e queria ser veterinário, mas apenas de formou em sabedoria, agora com a cátedra da experiência. “Eu tinha jeito, mas o meu pai não me deixava. O nosso veterinário na vacaria faz a reprodução dos animais, mas a clínica sou eu que a faço. Sei dar soro a uma vaca, sei castrar porcos e bois. Tudo isto eu aprendi. E olhe que têm aqui estagiado veterinários a quem eu passo os meus ensinamentos.”
Um deles, do Porto, vai prosseguir os estudos nos Estados Unidos, mas tem-lhe dito que nunca pensou aprender tanto na casa Pé-Leve. “Quando ele aqui começou perguntou-me se eu era veterinário. Qual veterinário, disse-lhe. Sou é experiente. E os outros veterinários dão-me razão quando lhes digo que vitelo que eu não consiga tirar da vaca só lá vai com cesariana. E assim acontece mesmo. Uma vez fiz um parto de três gémeas a uma vaca, todas vivas. Pois aquilo era um montão de patas e mãos, e eu tirei-as todas. Foi um grande esforço. Mas estão todas vivas.
 

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