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Ascendum Agro é o novo importador Valtra

14/06/2021

Qual é o projeto agrícola da Ascendum?

João Pimenta (JP) - O projeto agrícola da Ascendum Agro é também, neste momento, o projeto agrícola da Valtra- o que não quer dizer que no futuro este não seja ampliado. É, portanto, o projeto de expansão da Valtra no mercado português. Assim, passa por desenvolver a nossa distribuição no país. As vantagens de termos um acionista como a Ascendum são várias e muito importantes. Em primeiro lugar, podermos contar com um back office português, com instalações de que podemos dispor, e com o suporte financeiro de um Grupo forte. Portanto, a Valtra permanece Valtra mas cuidada com a ajuda de um Grupo português. Este projeto levou algum tempo a “cozinhar” até chegar ao “matrimónio”- foram mais de dois anos- mas desde o início ficaram claras as oportunidades que se abriam para ambas as partes. A principal, talvez, está na seguinte questão: a AGCO, detentora da Valtra a nível mundial, é uma empresa grande desenhada para grandes mercados europeus. Já o nosso mercado agrícola é completamente diferente do espanhol, do francês ou do alemão. Tem características muito específicas que não se enquadram na formatação da AGCO. Esta solução, com uma empresa de suporte portuguesa, acaba por fazer bastante mais sentido.

José Luis Mendes (JLM) - Com esta parceria com a Valtra e com a Kioti fechámos um processo. Não queremos ter um supermercado de marcas. Temos a Kioti que cobre um segmento de mercado, e a Valtra outro, e não competem entre si. Não queremos acrescentar marcas que venham competir com estas. Em relação a implementos, é prematuro falar sobre o tema.

O que muda para o cliente Valtra e para os concessionários da marca?

JP - A gama de produto da marca até há pouco tempo, bem como o volume de vendas no nosso país, não permitia que se fizessem investimentos. Neste momento, não só tem uma oferta de produto mais ampla mas também pode passar a oferecer ao seu cliente e concessionários mais-valias que a Ascendum traz. Por exemplo, agora temos um centro de formação em São João da Talha que usaremos intensamente com concessionários e clientes frotistas . Este  centro de formação permite oferecer tanto a componente prática, através da experimentação dos equipamentos, e teórica, na sala de formação. Esta é uma diferença muito significativa porque, até aqui, tínhamos de nos deslocar a Toledo, onde fica o centro de formação da AGCO Iberia. Assim, com mais formação, podemos estabelecer outro tipo de abordagens ao mercado. A formação é não só uma ferramenta mas também uma necessidade. Esperamos aumentar a capacidade de resposta técnica de todas as pessoas no universo Valtra em Portugal, quer seja num ponto de apoio ao pós-venda, quer seja no concessionário. Há uma máxima que aplicamos que é “a pós-venda vende o próximo trator” e quem está satisfeito com o serviço dificilmente considera sair da marca.
Ao nível do stock de peças também haverá diferenças, visto que apostaremos em ter um stock maior no país. Esta é outra das medidas que tomaremos de forma a respondermos rapidamente às necessidades dos clientes e concessionários. Custará alguma coisa mas será feito. Teremos também mais tratores de demonstração.
A origem do fornecimento de peças passará a ser Ennery, em França, onde a AGCO tem o seu maior armazém de componentes. Esta é uma tendência generalizada a todos os mercados, visto que, Ennery é onde o Grupo tem mais capacidade de expansão de instalações, equipamento e logística. Para nós também acaba por ser positivo por ser mais perto.

Como surgiu o interesse pela Valtra?

JLM - Há muitos anos que a Ascendum olha para o mercado agrícola como uma oportunidade de diversificação. Queríamos importação e distribuição mas, quando olhávamos para o mercado, não víamos abertura das marcas. Por via da falência da Tractores de Portugal acabámos por conseguir ficar com a Kioti, que ficou englobada na Ascendum Máquinas. No entanto, a Kioti é muito forte no segmento de potência até aos 50 CV mas não cobre segmentos mais altos e, por isso, continuámos atentos ao mercado. Até que, há cerca de dois anos e três meses, fizemos uma abordagem pela Valtra, que estava diretamente no mercado como fabricante. Após negociações com a AGCO, celebrámos um acordo de distribuição exclusiva da Valtra para Portugal a partir de 1 de Março deste ano.
Foi criada a Aascendum Agro, uma nova empresa do grupo, exclusivamente dedicada ao segmento das máquinas e dos equipamentos agrícolas que, para já, assume unicamente a Valtra e, no futuro próximo irá incorporar também a Kioti, com o objectivo de tornar a Ascendum Agro num forte "player" no segmento de máquinas e dos equipamentos agrícolas.

A rede dos dezoito concessionários terá alterações?

JP - A nossa ideia é reduzir o número dos chamados “concessionários” porque há zonas do país que não têm um volume suficiente de vendas de tratores nos segmentos em que a Valtra trabalha que justifiquem os investimentos que um Concessionário precisa de fazer na sua Concessão e, portanto, não podemos exigir tais investimentos. Nestas zonas com mercado muito pequeno faz mais sentido apostar na qualificação técnica para continuar a prestar cada vez melhor assistência aos tratores no ativo e aos novos modelos mais tecnológicos. Achamos que esta solução é aquela que melhor serve os interesses de todos, cliente final, Concessionário e Ascendum Agro.

A Ascendum é um player conhecido no sector florestal. A Valtra, por seu lado, também. Que sinergias poderão surgir deste casamento?

JLM - Há clientes comuns, há clientes que, não sendo comuns mas pela relação que temos via Ponsse poderemos conseguir fazer com que passem a ser também Valtra, e também o contrário, clientes Valtra que passem a ser Ponsse. É um trabalho que terá ainda de ser feito mas onde me parece que podemos, claramente, potenciar as vendas das duas marcas.

As instalações Valtra passam para São João da Talha?

JLM - Não existe um prazo, mas a ideia é que os negócios estejam juntos de forma a aumentar a eficiência de processos. Ter um armazém de peças comum, por exemplo, é algo que podemos conseguir.

Em termos de comunicação, e em estado de pandemia, com feiras a serem canceladas, qual o vosso plano de comunicação? Continuaremos a Valtra Smart Tour em Portugal?

JP - A digitalização está na ordem do dia, ainda que no nosso setor seja difícil passar sem o contacto presencial. No entanto, enquanto estivermos neste estado de incerteza, a digitalização acaba por ser uma alternativa.
A Valtra Smart Tour é uma mais valia da Valtra e é uma iniciativa que aproxima as pessoas. Por isso, queremos continuar a organizar estes eventos e continuaremos a contar com a presença dos técnicos da Valtra nos mesmos.

 

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