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Recuperar montados através do sistema Keyline

31/03/2021

Há uma combinação de fatores que têm levado ao declínio dos montados de sobro e de azinho, predominantes na região sul do país.
O ecossistema montado, que está associado à produção de cortiça e às pastagens para criação de gado em extensivo, tem estado cada vez mais exposto a períodos longos de estio com temperaturas altas, o que leva à perda de matéria orgânica no solo e consequentemente à diminuição da fertilidade.
No sentido de estudar a inversão desta tendência, existe um grupo operacional português, denominado Ecomontado XXI, que está a monitorizar uma experiência implementada pela Sociedade Agrícola Freixo do Meio, em Montemor-o-Novo, numa área de cerca de 120 hectares.
A experiência tem por base o sistema Keyline, que começou por ser aplicado na Austrália.

Keyline tem por base um trabalho de subsolagem
O planeamento Keyline é uma técnica que consiste em fazer subsolagem, seguindo as curvas de nível, com o intuito de canalizar água das áreas mais húmidas para as áreas mais secas. Pretende-se maximizar o aproveitamento da água de modo a melhorar a estrutura e a fertilidade do solo.

Em que consiste o Ecomontado XXI
Ana Fonseca, a investigadora da Universidade de Évora que está a coordenar o Ecomontado XXI, explicou-nos que este projeto “avalia o impacto do sistema de Keyline sobre o solo, medindo a evolução da sua humidade nas parcelas onde o Keyline foi implementado e em parcelas de controlo. Avalia também a evolução da biomassa vegetal da pastagem e a evolução na presença de espécies indicadoras de excesso de humidade ou outros fatores”. O projeto beneficia de financiamento comunitário, teve início em Janeiro de 2017 e prolonga-se até Dezembro de 2021.

Principais áreas onde o Keyline é usado
Ana Fonseca avançou ainda exemplos de aplicação do keyline. “Este sistema tem vindo a ser aplicado na instalação de aromáticas, plantações de pomares produtivos, em pastagens e até na instalação de novos montados, tanto em Portugal como em Espanha, uma vez que promove uma melhor infiltração e distribuição da água pelo solo, favorecendo todo o tipo de culturas. Desta forma vai ser ainda avaliada a perceção dos utilizadores da paisagem sobre a instalação deste sistema nas explorações”, afirmou.  

Resultados serão divulgados no final de 2021
A investigadora da Universidade de Évora mencionou ainda que os dados relativos ao projeto estão a ser analisados para obtenção dos resultados preliminares. “A recolha de dados só terminará em Setembro deste ano. Os dados de humidade do solo estão a ser comparados com os dados obtidos pelo satélite Sentinel 1 por forma a poder estender a avaliação da humidade do solo a outras áreas para além daquelas onde as sondas de medição estão instaladas”.
Quanto às avaliações finais do projeto, ficou a previsão de que estarão prontas até ao final deste ano. Estas avaliações vão permitir perceber se, no caso concreto das parcelas em análise, são identificadas alterações positivas que tragam esperança como um contributo para a recuperação do ecossistema montado.

 

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