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Mercado português de tratores agrícolas cresceu 15,84%

06/04/2020

O número de matrículas de tratores agrícolas novos registadas em Portugal durante o ano de 2019 aumentou 917 unidades relativamente ao ano anterior, o que corresponde a uma subida do mercado de 15,84%. No total, foram inscritos 6705 tratores agrícolas, o que fez do ano de 2019 o melhor da última década, valor só aproximado pelo de 2017 (6005 unidades), ano que ficou marcado pela entrada em vigor do pacote de harmonização de normas de segurança (mother regulation), que acabou por desvirtuar o registo de matrículas.

Sem apoios de qualquer espécie para o abate de maquinaria agrícola de idade muito avançada, ou desprovidos de dispositivos de segurança adequados, mas tão-só linhas de crédito ao abrigo dos programas-quadro comunitários, os números globais do mercado português são lisonjeiros quando comparados com os da esfera europeia, que encerrou o ano com um aumento do número de vendas, a rondar, em média, os 8%, bem acima do esperado pelos analistas europeus do mercado. Ainda a aguardar pelos números finais que serão revelados pela associação europeia de construtores (CEMA) – que a meio do ano antevia um cenário de recessão -, foi a forte federação industrial italiana (FederUnacoma) que se adiantou ao revelar tal cenário, apontando para uma base aproximada de 178 mil tratores agrícolas vendidos em 2019 no território europeu.

 


Novo triunfo da New Holland
O ranking português de tratores voltou a ser encimado pela New Holland, repetindo a liderança do ano anterior. A marca do grupo CNH ficou quase cravada na fasquia dos 10% de crescimento face a 2018, ao matricular 958 unidades, mas baixando a sua margem de quota de mercado, agora estimada em 14,29%, apenas mais 2,8% que a Kubota. A marca japonesa matriculou 819 tratores, quase 200 máquinas mais que as que tinha colocado no mercado em 2018, melhorando 32,10% na sua performance de vendas.

No terceiro posto ficou, uma vez mais, a John Deere (615 matrículas), o que lhe conferiu 9,17% de penetração no mercado. A Deutz-Fahr, primeira das marcas mais vendidas entre as demais do grupo SDF, também melhorou o desempenho ao colocar 511 tratores ao serviço da agricultura nacional (3,23% de progressão face a 2018 e 7,62% de quota de mercado). No quinto posto surge a Linhai, que comercializa veículos ATV e UTV (no quadro normativo europeu são equiparados a tratores agrícolas, embora não tendo as mesmas características), ao colocar 366 unidades ao serviço. Melhorias sensíveis foram as protagonizadas, entre outras, pela Branson (+46,58%) e pela Massey Ferguson (+35,92%), que finalizaram o ano com resultados muito animadores. No plano oposto situaram-se a McCormick (-26,44%) e a Landini (-19,10%).


“Minis” ganham terreno
O segmento preferido pelos agricultores portugueses continua a ser o dos tratores compactos, vulgo minis, que representaram 42,7% do mercado em 2019 (aumento de 27,64% face a 2018), seguindo-se os convencionais (36,15%)
e os especiais (21,07%).
O escalão de eleição mantém-se sendo aquele que tem um intervalo de potências entre os 40 e os 52 cv (1443 unidades), seguido pelo das máquinas que se situam no patamar imediatamente superior (53 a 79 cv), com 1229 unidades. No topo da hierarquia, destinado aos tratores com potência superior a 246 cv, foram matriculados apenas 33 unidades.

 

Reboques à beira da recessão
Também os números de matrículas de reboques ficaram em margem positiva - ainda que pouco mais que residual (0,7%), com 2483 unidades -, contrariando o que em novembro apontava para uma quebra significativa. Liderou esta tabela a Herculano (529 unidades, 21,3% do mercado), seguida pela Galucho (485, 19,5%) e pela Rates (350), esta quase em igualdade com a Reboal (346).




 

Ganhos na Europa e nos EUA
perdas na Índia, China e Turquia

Em outras longitudes, se o mercado norte-americano de tratores, fortemente apoiado por uma política de subsídios promovida pela administração Trump, cresceu 3,6%, já os indiano, chinês e turco decresceram, com este último, em situação crítica, a baixar para metade dos valores registados em 2018.
O mercado global de tratores revelou grandes assimetrias em 2019. Se os EUA registaram um crescimento de 3,6% nas vendas, com valores aproximados às 245 mil unidades - disse o presidente da FederUnacoma, em conferência de imprensa realizada em Verona, no contexto de Fieragricola -, também na Europa se verificou uma subida dos negócios, e ainda com valores mais significativos, na ordem dos 8%, tendo como base 178 mil tratores registados.

Ainda que as contas continentais não estejam completamente fechadas, Portugal reparte o pódio com aqueles que se encontram nos degraus dos ganhos, distante da Dinamarca, que trepou 25% quando em 2018 estivera no negativo, mas quase a par da França (+18% e 39.910 unidades registadas, o melhor resultado desde 2013). A Rússia poderá não andar longe daquela percentagem, pois em outubro estava no verde, com crescimento de 15%.

Em Espanha, o mercado rejubilou com a ultrapassagem da fasquia das 12 mil unidades, com 25% destas (3000) inscritas por uma só marca: John Deere. Seguiu-se a New Holland, com 2000 tratores. No cômputo geral, o mercado cresceu 6,7%. Até o Reino Unido, onde os negócios estiveram a meio do ano muito tremidos, recuperou o pulso e cresceu até aos 5,4%, caso para dizer que o pessimismo no setor já é crónico. Também se vaticinou um acentuado declínio nas vendas na Alemanha, na mesma medida da anunciada recessão económica, mas o fecho de tal conta agrícola foi positiva (+4,7% e 29 mil tratores novos).
 

Fenómeno “usado”
No campeonato dos maiores – e tendo em conta a forte componente industrial do país - só a Itália ficou a marcar passo, com uma ínfima margem positiva de 0,74%, o que corresponde a 18.579 matrículas. Mas aqui teve particular influência o fenómeno das aquisições dos tratores em segunda mão. Segundo a associação do setor, em cada 100 tratores novos foram 207 os que foram vendidos na condição de usados. Entre 2014 e 2019, os registos de máquinas novas cresceram 2,2%, enquanto os das usadas subiram 60,7%. No entanto, o setor industrial mantém uma grande solidez: nos primeiros dez meses de 2019, a conta de exportação atingiu 4 mil milhões de euros.
 

Índia e China em queda
Gigantes na utilização de maquinaria agrícola, a Índia e a China caíram num precipício, e se no subcontinente desceu a -10%, na China registou-se o dobro da queda. Só o impressionante número de 723 mil tratores transacionados na Índia em 2019 pode amenizar o retrocesso nas vendas. No entanto, é consequência de um ajustamento do mercado que conheceu um impressionante processo de crescimento nos anos mais recentes, que foi acompanhado por políticas de forte apoio do Governo de Nova Delhi.

Na China, onde não são conhecidos em pormenor os números do ano, aceita-se por razoável o facto da desaceleração geral da economia e a redução de subsídios públicos para a compra de máquinas agrícolas. O futuro próximo é que poderá trazer novos dissabores ao setor, pois a crise do Coronavírus poderá ter consequências imprevisíveis.

A Turquia, outro colosso agrícola, continua a afundar-se numa vertiginosa queda. Desta vez, fixada em -58%, uma vez mais devido à combinação de fatores políticos, económicos e monetários, neste caso intimamente ligados à forte desvalorização da moeda. Em 2017, a Turquia matriculou 72.909 tratores novos, o valor mais alto do último quinquénio.

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