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Entrevista a Georges Mandrafina

02/11/2021

Fotos: Workmove

Como nasceu a Vinomatos?
Aqui em Portugal, a Vinomatos nasceu em 1997. Em França, eu já tinha iniciado a minha carreira 19 anos antes, na zona de Bordéus. Essa região, há 40 anos, tinha uma previsão de renovação da vinha feita a 10 anos. Na altura, eu tinha uma pequena quinta com 4 hectares de vinha e estava à procura de uma oportunidade para crescer. Havia muito hectare de vinha para plantar e em junho de 1981 comprei uma máquina para começar a fazer a plantação. Só havia plantação manual mas encontrei um cliente que aceitou utilizá-la e comprou-ma...  mas a máquina não funcionou. Trouxe-a para o meu armazém, tirei-lhe os componentes que não funcionavam e sabe o que restava? Quase nada. Tentei arranjá-la eu próprio e acabei por montar uma máquina que já permitia colocar a planta e o tutor. Era o primeiro passo para uma máquina totalmente mecanizada mas sem GPS, laser, nada. Passei o primeiro ano a dizer aos clientes que no ano seguinte ia criar uma mais avançada.

No fundo, havia muito a melhorar...
Tudo! Nem era melhorar, era criar, porque tudo o resto não funcionava. Foi então que contactei uma empresa de lasers para fazermos uma linha de plantação direita. Acabei por ser eu a encontrar a solução, soldando a peça à estrutura interna da máquina. Durante 12 anos não tive concorrência.
Mas eu queria ir mais longe e trabalhava para ter o sistema de GPS incorporado, embora fosse difícil encontrar uma empresa que quisesse avançar. Ao fim de dois anos a trabalhar em parceria com uma empresa de Nantes e quase 400 mil euros de investimento feito, não havia grande evolução e terminámos a ligação.

Foi então que deu início à construção da máquina Oliva?
Sim. Desde a primeira tentativa e contando os vários reinícios, foram 5 anos de trabalho até ter uma máquina capaz de fazer uma linha de plantação direita, com GPS e a posição da planta com uma margem de erro de 1 cm, em zona plana ou inclinada.

A Oliva foi, então, a primeira grande vitória para si.
Claro, não havia nada igual. Há 30 anos ninguém sabia o que era o GPS, muito menos na agricultura.

Foi a melhor forma de mostrar a quem não acreditava em si que era possível fazer uma máquina de plantação desse nível... 

Totalmente. Vendi, então, uma máquina Oliva no sul de Espanha e houve empresas que aplicavam o sistema GPS para fazer as linhas de plantação, que tiveram que vir ao terreno ver a Oliva a trabalhar, para acreditarem.

- Veja o álbum completo da entrevista a Georges Mandrafina -

Já pensava em novos desenvolvimentos?
Sim. No início dos anos 90 já tinha na minha cabeça a ideia de fazer a Révolution. Queria construir uma máquina autónoma. Pensava no dia em que colocaríamos a planta, o tutor, o poste, o arame e o tubo de gota-a-gota, na mesma passagem.

Com o sucesso que alcançou com a Oliva enquanto estava em França, por que decidiu mudar-se para Portugal no fim dos anos 90?
A minha mudança de França para Portugal deveu-se a várias razões: a principal foi por precisarmos sempre de pessoas para trabalhos sazonais, o que sempre se revelou uma dificuldade, e que se mantém no setor agrícola até hoje. Havia clientes, mas não tinha quem me ajudasse e em Portugal era diferente, já tinha mão-de-obra e facilidade para trabalhar.

Como tem corrido a solução de financiamento, em alguns casos a 100%, que a Vinomatos criou para ajudar os clientes?
Muito bem. É uma solução para o cliente que compra hoje e só pode pagar ao fim de um ano. Muitos agricultores trabalham com as ajudas financeiras da União Europeia e não conseguem desembolsar logo a totalidade do valor. Com esta solução de financiamento bancário, o cliente tem a possibilidade de fazer uma gestão dos trabalhos, em função do desenvolvimento do projeto e não da sua capacidade de tesouraria.

E porquê Portugal?
Vim atrás de um amigo cuja intenção era a mesma que a minha. A escolha de Ourém como o local da sede foi estratégica. Temos Lisboa a uma hora de caminho e já havia a previsão de fazerem aqui o IC9, que é um local de passagem. Além disso, temos 300kms de distância até ao Porto e arredores e pouco mais do que isso para o Alentejo, chegamos depressa a qualquer ponto do país.

Demorou a entrar no mercado português?

Só há um par de anos é que conseguimos realmente penetrar no mercado português. Antes da pandemia fazia 70 viagens de avião por ano, passava mesmo muito tempo fora de Portugal, ia aos Estados Unidos, Chile, onde temos hoje uma empresa a trabalhar, e toda a zona do Norte de África. A pandemia mudou este cenário e tenho estado muito mais tempo em Portugal, o que impulsionou este investimento.

O que pretende alcançar num prazo de 5 anos?
Queremos oferecer ao cliente um produto/serviço que seja a melhor solução. Hoje, com a máquina Révolution, temos a solução ideal para a plantação mecanizada pois não há máquina mais completa. De futuro, queremos criar modos diferentes e inovadores de trabalho e ajudar os nossos clientes a aumentar o volume dos seus negócios.

 

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