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“Agricom, o nosso negócio online, deu-nos 30 a 40% de crescimento”

23/03/2022

Em 2020, falou num novo projeto de construção de um pavilhão com área coberta de 500m2 para armazenar peças e promover o aumento da exportação. Está concluído?
Quando traçamos objetivos num negócio que está em crescimento é muito difícil esperar por processos burocráticos. Os nossos clientes não vão esperar por nós e como todos os mercados são dinâmicos teremos de pensar em soluções mais rápidas de concretizar. Queremos construir ainda este ano, contudo não depende de nós. Até isso acontecer avançámos com outro projeto, que já está em curso.

Qual é o projeto e que impulso pode trazer à Cimetal?
O projeto é um sistema integrado de logística 4.0 que já está implementado a 85%. Trata-se de um armazém automático com um sistema WMS que está ligado ao nosso ERP permitindo-nos uma gestão integrada e flexibilidade na nossa logística. Nos dias de hoje, as alterações climáticas e a paralisação dos equipamentos agrícolas podem comprometer todo o investimento agrícola e o nosso cliente é cada vez mais exigente na qualidade e rapidez das entregas. Assim, conseguimos estar mais preparados para poder responder às suas necessidades.

Está integrado no projeto Agricom, de que falámos há dois anos?
Sim. Em 2021 com a Agricom tivemos um acréscimo de 30-40% de volume de negócios online. A pandemia mudou os hábitos de quem compra, e quem vende tem que ir ao encontro dos novos desafios deste mercado. Em 2020 já estávamos preparados para a transformação digital e em 2022 estamos preparados para a qualidade e eficiência dos processos.

Só referente à Agricom ou fala da Cimetal como um todo?
A Agricom é a nossa área de negócios relativamente ao comércio de peças. A área de negócios da Cimetal são as máquinas e equipamentos agrícolas. O volume de negócios global tem uma média de crescimento de 20% ao ano nos últimos 10 anos.

“O negócio online exige uma pessoa em exclusivo”
A aposta numa loja online na Cimetal começou em 2012, sofreu atualizações em 2016 e, para Carlos da Mota, já é necessária nova modernização. A experiência com a Agricom já permitiu perceber que só o tempo trará sucesso. “O trabalho por detrás de um negócio online é muito dinâmico, deve ser alimentado diariamente. Há que ter alguém dedicado exclusivamente a este tema”, explicou o gerente da Cimetal, mostrando-se satisfeito com o feedback que os utilizadores já vão dando: “Em muitos casos, o utilizador consulta o nosso catálogo e antes de finalizar a compra pede o nosso parecer técnico.

Não queremos que a Agricom seja apenas uma loja online, o que pretendemos é que seja uma plataforma onde os utilizadores possam consultar os produtos e especificações dos mesmos e poder seleccionar a melhor opção de acordo com as suas necessidades. O retorno deste negócio só vem com o tempo, mas podemos desde já analisar que em 2021 tivemos mais 15% de visitas que no ano anterior .” Já no que toca ao interesse geográfico do cliente, é difícil a Carlos da Mota conseguir identificar uma região que sobressaia: “A Agricom tem uma média de 34000 visitas mensais de utilizadores de todas as regiões do país, neste momento estamos a traduzir o conteúdo para inglês e espanhol e já se está a reflectir em vendas pontuais para o nosso país vizinho.”

Olhando apenas para a venda de máquinas, qual é o tipo de equipamento mais representativo para a faturação da Cimetal?
Nos dias de hoje não procuramos comercializar equipamentos a baixo custo. O nosso foco é desenvolver a melhor solução para o cliente tendo em conta as exigências reais, pois o valor acrescentado será traduzido na optimização dos processos agrícolas. É necessário um novo paradigma de negócios para enfrentar as alterações climáticas. Esse é o nosso desafio como proposta de criação de valor. Neste momento o nosso foco são os equipamentos de múltiplas funções, com redução de consumo de adubos, redução do consumo de combustíveis e redução de tempos de mobilização, sementeira, colheita, etc., assim como o os sistemas integrados de agricultura 4.0.
 

Mas se não é qualquer cliente que sabe tirar proveito das novas tecnologias de uma máquina, também não é qualquer um que a sabe vender...
A transformação digital também está na agricultura. A agricultura 4.0 é um conjunto de inovações que trazem maior agilidade, autonomia, conectividade e integração dos processos produtivos. Os nossos parceiros têm que estar informados e cabe-nos a nós investigar, ir às principais feiras e procurar as melhores soluções junto dos fabricantes de equipamentos e de quem desenvolve os produtos.

Sente falta de algum tipo de equipamento no portfólio da Cimetal?
Estamos satisfeitos. Contamos com parceiros com um leque muito completo de máquinas, como por exemplo a Maschio Gaspardo. Para as culturas mais especializadas contamos com um leque muito variado, dependendo da área em causa.

Reforço da área financeira ajudou a veia comercial
Em 2020, a Cimetal contava com 10 colaboradores mas, já na altura, Carlos Mota referia a importância de reforçar a equipa. Entretanto, surgiu a pandemia mas não foi obstáculo suficiente para que a empresa de Torres Novas desse um passo atrás. Bem pelo contrário. “Temos agora 11 colaboradores, em 2021 o reforço na área financeira libertou-me para a vertente comercial. Estamos ainda a recrutar mais dois colaboradores”, explicou o gerente.

Entregas e subidasde preços

Sentiu mais problemas nas entregas dos fornecedores à Cimetal? Como lidou com a subida dos preços?
A instabilidade dos preços causa uma grande incerteza na tomada de decisão, contudo não sentimos que o investimento agrícola tenha reduzido. Durante o último ano conseguimos antecipar os movimentos de subida de preços, fazendo um bom aprovisionamento, para garantir que tínhamos sempre resposta para os nossos clientes. Ainda assim, em algumas áreas de negócio tivemos constrangimentos no que diz respeito aos prazos de entrega.
Que previsão faz para o próximo ano?
O próximo ano vai ser um ano cheio de desafios! Em primeiro lugar a questão da seca que irá pressionar muito o sector agrícola em Portugal e todas as áreas que dependam do mesmo. Por outro lado, a instabilidade a que se assiste no panorama europeu e mundial irá certamente influenciar o custo das matérias primas e, por consequência, o aumento dos preços das peças e máquinas agrícolas. Claro que iremos manter o nosso caminho, mas certos de que serão tempos desafiantes. Temos que continuar a dar resposta aos nossos parceiros agricultores, que certamente irão dar mais importância ao planeamento, eficiência dos processos e ‘know-how’ especializado.

 

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