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Projeto de regadio

09/10/2018

Por: Paulo Fragoso, Projetista e Consultor
 

É algo parecido com o facto de termos um bom carro, com toda a tecnologia de ponta relativa à segurança passiva e ativa, ao conforto, e depois faltar-lhe o motor de propulsão. Para se realizar uma boa instalação de regadio temos que realizar um bom projeto.

Oito pontos a considerar na instalação

1. O levantamento dos recursos hídricos locais, suas limitações e características e enquadramento legal relativo à legislação ambiental;

2. O levantamento das características dos solos a beneficiar, numa primeira zonagem, que poderá ser complementada com as tecnologias disponíveis (antes mencionadas) e com um sólido conhecimento sobre o seu comportamento relativamente à água;

3. O conhecimento da cultura a beneficiar, o seu ciclo de desenvolvimento e necessária influência da água ao longo das diversas fases do seu ciclo;

4. A determinação das necessidades hídricas da cultura a beneficiar, quer anuais (volume total de água necessário ao longo do ciclo cultural), quer de ponta (no período de maior exigência, estas últimas para auxílio ao dimensionamento da instalação de regadio). Esta determinação tem de estar obrigatoriamente integrada nas características climáticas locais ou, pelo menos, à falta de melhor, naquelas que mais se aproximem e representem a realidade local;

5. A integração da componente humana na futura instalação – adaptação da tecnologia a utilizar e seu grau de desenvolvimento, de acordo com a disponibilidade da mão-de-obra local. É importante a promoção da formação técnica aos colaboradores que vão utilizar a instalação de modo a que a tecnologia utilizada possa ser explorada convenientemente e o máximo possível. É lógico que, sem formação, não se consegue interpretar, por exemplo, gráficos de exportação de água no solo;

6. A escolha mais correta, equilibrada e sensata sobre o tipo de tecnologia a utilizar para regadio de determinada cultura, de acordo com a sua especificidade, exploração cultural e disponibilidade de recursos  hídricos;

7. Um estudo equilibrado e racional da instalação hidráulica em si. Não basta calcular infraestruturas de transporte de água, nas suas diversas componentes – rede de condutas de distribuição (primária, secundária e terciária – esta última a que coloca a água ao dispor das plantas). É necessário, também, ter-se em linha de conta os custos de exploração (principalmente os energéticos), o custo de investimento inicial e o valor residual da instalação no final da sua vida útil, ou melhor, um seu prolongamento face a um dimensionamento equilibrado e conservativo, prolongando a vida útil dos seus componentes. A correta escolha da estação de bombeamento ou, na sua ausência, o correto aproveitamento das características hidráulicas da água ao dispor (como por exemplo num aproveitamento hidroagrícola), é um procedimento intransponível para alcançar um funcionamento correto e equilibrado de uma instalação de regadio;

8. Finalmente, a correta execução de um caderno de encargos, neutro e equilibrado, claro e conciso, redigido segundo a tramitação legal e acessível às estruturas empresariais com capacidade para concorrerem à execução da instalação de regadio daí resultante. Afinal, cada vez mais nos vamos apercebendo da seriedade e rigor exigido na atividade agrícola, quer a montante quer a jusante da produção, principalmente na agricultura de precisão, ou melhor, naquela que mais se integra nas exigências do mundo atual. E para que culturas? Esta é a pergunta que se impõe. E a resposta é simples: toda e qualquer cultura a realizar de forma sustentada e com o objetivo de suprir as necessidades de consumo do mercado. Atualmente usa-se esta tecnologia nos cereais regados, nas culturas hortícolas, nas culturas frutícolas, na olivicultura, enfim, em qualquer cultura queseja explorada de forma rigorosa e profissional.
 

VRT, afinal o que é?

Certamente já muitos de nós ouvimos falar em VRT. É um termo que atualmente surge no processo de candidatura aos fundos comunitários para quem decide investir no regadio. Mas afinal, o que é isto?

VRT é um acrónimo da língua inglesa Variable Rate Technology que significa, na sua tradução literal, “Tecnologia de Taxa (ou Rácio) Variável”. Este “palavrão” pretende abranger um conjunto de técnicas de gestão agronómica e tecnologia de monitorização cultural, com o objetivo único de integrar a produção agrícola no meio ambiente, da forma mais perfeita e racional possível. Pode-se comparar a agricultura moderna a um processo industrial onde os fatores de produção são a matéria-prima, o ser humano representa a força laboral e o sol, o motor de todo o processo. O produto final, a produção vegetal, necessária ao nosso consumo. Agora, com a utilização deste modo de produção, esta indústria agrícola aproxima-se cada vez mais do ambiente, integrando-se nele, respeitando-o e, melhor ainda, preservando-o. Pois é, e a água é um dos mais importantes fatores de produção, como vimos atrás.

Tratando agora da aplicação da VRT e da sua relação com a água, analisemos a situação mais de perto. Com a VRT podemos:

  • Aumentar a eficiência da aplicação da água à cultura, reduzindo-se assim (ou mesmo quase que
    se anulando) os desperdícios de água no processo de regadio (superficial e/ou por percolação profunda no solo);
     
  • Reduzir os custos energéticos com o seu fornecimento, melhorando-se o balanço energético
    associado à produção agrícola;
     
  • Reduzir a aplicação de produtos químicos, com o consequente impacto positivo no meio ambiente, pois através desta tecnologia só se aplica o que realmente é necessário, impedindo-se, por exemplo, a sobrecarga ambiental com a poluição de aquíferos;
     
  • Melhorar a gestão de recursos, humanos e naturais, pois fica disponível um conjunto de ferramentas que permitem ao empresário agrícola tomar a decisão de gestão, económica ou agronómica, mais correta e no momento certo;


     
  • Aumentar a produtividade, a qual, se integrada no contexto socioeconómico do setor, melhorará os indicadores de desenvolvimento, pelo aumento da qualidade de vida das populações que dependem direta ou indiretamente do setor agrícola. Então e que instrumentos temos ao dispor para controlo da água na produção agrícola através da VRT? São essencialmente:
    - Sondas capacitivas para monitorização da água no solo – com estes aparelhos, hoje de fácil aquisição no mercado, podemos executar uma zonagem cuidada e detalhada das manchas de solo dentro de uma área a regar. Através de um software específico associado a estes equipamentos poderemos observar a dinâmica do comportamento da água no perfil do solo estudado (o que corresponde à extração realizada pelas plantas) e uma “rasterização de varrimento” com a interação entre as plantas e a quantidade de água no solo. No fundo, a imagem obtida assemelha-se muito a uma imagem de radar em que as manchas de solo surgem com determinado contraste segundo a quantidade de água aí existente em determinado momento. Normalmente acopladas a um sistema de comunicação de dados para um computador poderemos observar em profundidade, sob a forma de gráficos ou linhas, a quantidade de água do solo às profundidades medidas. Determina-se assim, com rigor, o momento certo para regar e qual a dotação de rega a utilizar;
    - Estações meteorológicas para integração das condições nos modelos de cálculo utilizados para as tomadas de decisão sobre a oportunidade da operação de regadio. Com ligação a uma base de dados meteorológicos, externa ou interna (de acordo com o modelo e o fabricante), pode-se correlacionar os dados meteorológicos com o comportamento da água no solo (o qual nos dá indiretamente a razão de consumo da água por parte das plantas). "Afina-se" assim a instalação de
    regadio de modo a fornecer-se a quantidade de água correta que as plantas necessitam em determinado momento. Além disso, de acordo com os dados colhidos e com os modelos de cálculo introduzidos no software de gestão, através de uma parametrização equilibrada, pode-se gerar avisos de diversa ordem, como por exemplo, auxiliares para o controlo fitossanitário das culturas;
     
  • Sensores para medição do potencial de água na planta. Já há muito utilizados na investigação, estes aparelhos surgem hoje no mercado cada vez mais frequentemente, permitindo inclusivamente, de forma fácil e expedita, medir o potencial de água no interior das plantas, dando-nos a perceção do seu estado hídrico

Leia aqui o artigo completo - Especial Água

 

 

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