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Pequenas explorações ibéricas são as mais vulneráveis ao risco financeiro

25/08/2026

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A investigação, levada a cabo pelos investigadores Mário S. Céu e Raquel M. Gaspar, e publicada na Spanish Journal of Agricultural Research, analisou um total de 9.891 explorações agrícolas ibéricas - 3.984 portuguesas e 5.907 espanholas. Isto, para concluir que 32,5% das microexplorações e 26,2% das pequenas explorações estavam numa situação de dificuldade financeira persistente.

Em contrapartida, apenas 2,8% das explorações de média e grande dimensão estão em situação idêntica.

Sobre o conceito de "dificuldade financeira", ou financial distress, o estudo define-o como a persistência, durante dois anos consecutivos, de dois indicadores em simultâneo: um rácio de solvência negativo e uma cobertura de juros inferior a 1. Ou seja, quando os resultados operacionais não chegam para cobrir os encargos financeiros.

Já para classificar as explorações por dimensão económica, os autores utilizaram cinco categorias com base no volume de negócios médio entre 2020 e 2021 - desde as microexplorações, com receitas até 8.000 euros, até às explorações médias e grandes, acima dos 350.000 euros.

Com base em modelos de regressão logística, o estudo identifica o nível de endividamento (rácio de dívida total sobre ativos) como a variável mais consistente na previsão de dificuldades financeiras, sendo estatisticamente significativa em todas as categorias de dimensão analisadas.

Explorações de maior dimensão declaram mais prejuízos

Sobre a recorrência de prejuízos, os autores do estudo concluem que este é um sinal de alerta mais forte nas explorações de maior dimensão do que nas pequenas. Situação que os autores associam ao facto de muitas explorações familiares ou de pequena escala se manterem em atividade ano após ano, sem recorrer ao crédito. Algo que tanto pode decorrer da dificuldade de acesso ao financiamento, como do facto de disporem de outras fontes de rendimento complementares.

Ainda segundo os investigadores, os modelos desenvolvidos mostraram um elevado poder preditivo, com valores da área sob a curva ROC (AUC) sempre acima de 0,93 - desempenho considerado excelente, segundo os critérios habituais da literatura estatística. No caso das explorações de média e grande dimensão, o modelo conseguiu ser ainda mais rigoroso, com uma AUC de 0,959 e uma exatidão global de 87,9%.

Os autores enquadram os resultados num contexto mais amplo de dificuldades de acesso ao financiamento no setor agrícola ibérico: em Portugal, a procura de financiamento externo não satisfeita nos setores agrícola e agroalimentar foi estimada em 940 milhões de euros, sobretudo devido a exigências elevadas de garantias e à reduzida apetência das instituições de crédito para o risco associado à pequena agricultura.

Tamanho conta

O estudo levado a cabo pelos investigadores Mário S. Céu e Raquel M. Gaspar conclui que a dimensão da exploração é um fator determinante na antecipação do risco financeiro, defendendo a criação de mecanismos de apoio financeiro diferenciados, consoante a escala económica das explorações.

Os investigadores do ISEG admitem, no entanto, limitações associadas ao curto período temporal analisado - apenas dois anos - e à possível subdeclaração de dados por parte das explorações mais pequenas. Apontando, igualmente, a integração de variáveis climáticas e de séries temporais mais longas como vias para desenvolvimentos futuros.

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