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Mercado de tratores agrícolas cresce

22/10/2019

Ainda é cedo para fazer festa, mas contabilizados os números de matrículas de tratores novos, de janeiro a agosto de 2019, o mercado português continua na tendência de crescimento registada desde o início do ano, embora tenho perdido alguma das energia evidenciada até final de março, tendo atingido um resultado positivo de 7,5% no final do oitavo mês de vendas. Feitas as contas, até ao final de agosto foram atribuídas 3834 matrículas de tratores novos, superando em 268 unidades as que foram registadas até ao oitavo mês de 2018.


No topo da tabela de marcas, a New Holland, marca que mais vendeu em 2018, mantém-se estável no comando, apresentando  uma variação homóloga positiva de 9,6%.
Já a Kubota, que no ano passado perdeu o título de campeã de vendas para a marca do grupo CNH, continua no segundo lugar na campanha atual, tendo inscrito mais unidades na variação homóloga de oito meses (+174, o que corresponde a um crescimento de 46,9%), mas cedeu um pouco do ímpeto inicial de transações até março. Ainda assim, é o melhor resultado entre todas as marcas face a 2018.


Depois de ter vacilado à metade do ano, perdendo a posição para a Deutz-Fahr, a John Deere recuperou um pouco – o suficiente para assegurar a manutenção do último lugar do pódio nos saídos de agosto. O símbolo norte-americano não se livra, porém, de continuar em queda relativamente ao apuramento estatístico após oito meses de 2019, com menos 2,4% menos de vendas relativamente a 2018.
A maior queda até este momento contabilístico pertence à Landini, ao registar menos 41 tratores que em 2018. Pela positiva, a marca que mais se destaca nesta campanha, e depois da Kubota, é a Hurlimann, com mais 44 unidades contabilizadas.


O método
Convirá referir que os dados estatísticos do número de matrículas de tratores agrícolas novos, fornecidos pelo IMT à associação de comerciantes automóveis, ACAP, e aos quais a revista abolsamia teve acesso, estão expurgados dos veículos ditos “utilitários” para serviço agrícola. Ainda que oficial e legalmente matriculados como tal – isto é, como tratores agrícolas -, a decisão continua a não ser dada como pacífica no meio, por se considerar que desvirtua o mercado, dada a especificidade de uns e de outros veículos, ou por poder penalizar quem comercializa uma das categorias.
Nessa razão, o método de análise seguido e assumido por abolsamia radica na expurga de todos aqueles veículos.


Para que não subsistam dúvidas sobre o método seguido, aqui ficam os números de vendas de tratores agrícolas (com todas as categorias incluídas, mas sem atribuir volumes a cada uma das marcas), patente na lista assim veiculada pela ACAP:

  • Após agosto deste ano, o valor acumulado de vendas foi de 4559 unidades. Por categorias, aquele organismo ainda só tinha divulgado este quadro de vendas até junho: 1402 compactos, 1112 convencionais e 737 especiais.
  • Ainda de acordo com os dados de agosto, no que se refere aos escalões de potência, verifica-se que a preferência foi para o segmento 30-39 Kw (40-50 cv), com 923 unidades registadas, seguida do escalão imediatamente superior (40-59 Kw, ou 50-80 cv), com 761 unidades. Nestes oito meses, as categorias em pólos opostos, a inferior, abaixo de 19 Kw (25 cv), e a superior (acima de 184 Kw, ou 250 cv), registaram, respetivamente 333 e 25 vendas.


Reboques afundam
No que respeita aos reboques agrícolas novos, o mercado acentuou a quebra já verificada no primeiro trimestre. Se o decréscimo de vendas era de 16,4%, agora a descida é ainda maior, chegando aos 27%, o que representa menos 399 reboques vendidos no semestre do que em idêntico período do ano passado. Já o top-3 não sofreu alterações, com a Galucho a totalizar 255 unidades vendidas, mas a sofrer a maior quebra de todos quantos compõem a tabela, ao perder 44,7% de vendas face a 2018. A Herculano e a Rates preenchem os lugares que se seguem, respetivamente com -93 (-32,9%) e -4 unidades vendidas (-2,5%).

 

 

Matrículas na Europa com aumento estável
França no topo da montanha
O registo de novas matrículas de tratores agrícolas no cenário europeu mantém uma tendência estável de crescimento, concluído o primeiro semestre com um aumento na ordem dos 10%. Segundo os números apresentados pelo Comité Europeu de Maquinaria Agrícola (CEMA) foram matriculados 96.428 tratores agrícolas, a maioria do escalão de potência igual ou superior a 50 cv (75.143).
 

Sublinha aquele organismo que o aumento do número global de vendas, quando relacionado com o período anterior, ainda está ligado à nova legislação que entrou em vigor no início de 2018, que provocou um elevado número de pré-registos de matrículas. No entanto, observa o CEMA que o primeiro semestre de 2019 conserva a recuperação de procura iniciada em 2018. A exceção é notada para os tratores com mais de 300 cv, especialmente visados pelas alterações de legislação ambiental. Em média, metade de todos os tratores registados têm motorização  de potência inferior a 100 cv, e apenas um em cada quatro ultrapassa os 150 cv.


Pessimismo comercial
Aquela associação do setor é mais cética relativamente ao clima comercial atual e futuro, admitindo que possa afetar negativamente os mercados, a par da desaceleração da economia europeia, e particularmente a alemã e da incerteza quanto ao dossiê Brexit. Para já, as ordens de encomenda que têm chegado à indústria já estão em declínio face ao que sucedeu nos primeiros seis meses do ano. E no Reino Unido as vendas estão no negativo (-3,5%).


Apesar da ligeira contração verificada em agosto, o mercado espanhol de tratores mantém-se em alta, acumulando vendas de 7700 tratores em oito meses, o que significa o alargamento do mercado em 15,98% relativamente ao período homólogo de 2018. Tal como em Portugal, o setor dos reboques está em queda acentuada, com uma quebra próxima dos 29%, e o mesmo é dizer da maquinaria arrastada ou suspendida, ainda que a queda seja quase residual, na ordem dos -0,75% .


Os principais mercados europeus de tratores continuam a ser o alemão e o francês, e se o primeiro está a crescer 21%, o gaulês dança perto dos 50%. A Itália é mais modesta (+6%). Notáveis subidas verificam-se na Finlândia, Áustria, Suécia, Noruega, Hungria, Sérvia e Croácia. Pelo inverso, Holanda, Bélgica e Eslováquia não têm razões para festejar. Na Turquia, a desvalorização da moeda local continua a afastar os agricultores das casas de venda.

 

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