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Gestão de parque de máquinas

Em Alcochete a tradição ainda é o que era

16/05/2022

José Amaro, ribatejano de origem, viveu no nordeste brasileiro antes de voltar para Portugal. “Ir lá é maravilhoso, para trabalhar é diferente”, deixou no ar o engenheiro técnico agrário de formação. Quando regressou a Portugal abraçou o desafio lançado por José Mineiro, engenheiro, professor e agricultor, dono da Herdade da Malhada de Meias. “Já foi há 12 anos”, lembra José Amaro.  Gosta de vacas mas prefere ovelhas de loiça.
 


Herdade da Malhada de Meias
“Antes das expropriações para aumento da área do Campo de Tiro de Alcochete, em 1985, era lá que esta herdade estava situada”, começou por explicar o engenheiro responsável pela Herdade. “Foi deslocalizada para onde nos encontramos. A partir dessa altura, o engenheiro José Mineiro, proprietário, desenvolveu-a, construindo infraestruturas, instalando pivots de rega, e trazendo para o “lado de cá” as cabeças de gado que tinha”, continuou.

As principais áreas de atividade da Sociedade Agrícola sempre foram, e continuam a ser, a criação de gado bovino para carne (680 animais de raça limousine) e ovino (300 ovelhas de raça merino), e tudo o que lhe está associado, como silagem de milho e erva. “Gosto das vacas, ovelhas acho que não me importava que fossem as de loiça”, confessa em tom de brincadeira.

Os tempos difíceis para a agricultura, com a escalada dos custos de produção, não afastaram José Mineiro de continuar a produzir. “O espírito de missão e a tradição mantêm a Herdade de Malhada de Meias em produção mesmo em tempos de incerteza”, afirma o responsável pela Herdade, José Amaro.
Entre os 850 hectares que compõem atualmente a Herdade, 380 são de regadio, dos quais “270 são para o milho e 110 para pastagens”, resumiu José Amaro.

 

Parque de máquinas
“Dimensionámos o nosso parque à medida das necessidades, que estão sobretudo relacionadas com o processo de sementeira e tratamentos do milho. Fazemos tudo em casa, desde a mobilização até à aplicação de fertilizante, com exceção de parte da colheita, pois, como vendemos uma grande percentagem da silagem que produzimos, são os próprios compradores que cortam e levam”, explicou o responsável antes de concluir: “Por isso, desde charruas, grades de disco, semeadores, reboques e reboques espalhadores de estrume, temos tudo”.

Entre as muitas máquinas ao serviço, há uma cor que se destaca: o laranja Galucho. Algumas delas bem marcadas por uma vida de trabalho. “Temos charruas da Galucho que estão cá há muito mais tempo que eu, há cerca de 33 anos”, digo José Amaro. “São máquinas que acompanharam a vida da Sociedade Agrícola da Malhada e das pessoas que cá trabalham”.

Mas a verdade é que não só charruas, nem alfaias Galucho com muitos anos de trabalho que ali se encontram. “O engenheiro Mineiro começou com a Galucho e mantém a sua opção até hoje. Não é só por ser um grande fabricante nacional, mas sobretudo pela qualidade e robustez dos seus produtos. À medida que foram sendo precisos equipamentos maiores a Galucho continuou a ser a marca que nos acompanha”.

Em relação aos tratores, esses também têm vindo a aumentar a potência. “Temos vindo a substituir os nossos tratores por máquinas cada vez melhores e mais potentes. Portanto, uma charrua que servia passa a ser pequena. É assim que vamos renovando o parque de máquinas. Os nossos tratores trabalham, sobretudo, durante a campanha do milho, fazendo poucas horas durante o resto do ano. No entanto, devido às particularidades dos solos que trabalhamos, precisamos de ter boas máquinas. A propósito de tratores, já temos encomendado um segundo Case IH, um Puma 240 CVX”, revelou José.

À vista de quem chega à zona de armazenagem dos equipamentos salta um grande reboque espalhador de estrume. “É a máquina mais recente”, conta José. “Foi comprado em 2021, porque o que tínhamos cá em casa já não dava resposta às nossas necessidades, pois não tinha a dimensão necessária tendo em conta a área que trabalhamos hoje”, sintetizou.

 

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