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Antigamente era assim...

A Galucho faz 100 anos

08/04/2020

Sempre na mesma terra sintrense que viu toda a família nascer e crescer, José “Galucho”, era assim conhecido, de alcunha herdada de seu pai, foi ferreiro e carpinteiro tão engenhoso quanto precoce, aprendiz de tais artes desde os tenros 11 anos. Na idade adulta haveria o “Galucho” de erguer a sua própria oficina de carpintaria, de cadeiras, mesas e medidas para cereais, e que evoluiria para a construção de veículos de tração animal, depois para carroçarias e cabines de camionetas, algo que até à data era inédito no país.

A Galucho, uma pequena oficina local, hoje o maior fabricante nacional de máquinas e alfaias e um dos mais importantes do género na Europa, formada em 1920, perdura como sociedade anónima especializada no desenvolvimento das mais eficientes soluções em duas áreas de negócio: agricultura e equipamentos de transportes.



Empreendedor como poucos, José Francisco Justino expandiu o seu negócio, diversificando os ramos de atividade, foi fanqueiro e retroseiro, também haveria de abrir uma mercearia e uma agência funerária. Mas a carpintaria mecânica e a serralharia fá-lo-iam estar mais perto do mister que lhe fez saltar o nome de terra em terra e no tempo. Fazia-se acompanhar pelos filhos (dez, dos quais seis rapazes), familiarizando-os com os processos de trabalho e fabrico, ensinando-os à medida que estes iam atingindo a idade laboral, e que gradualmente iam assumindo o seu posto na empresa.
Foi então que deu início ao processo de fabrico de máquinas agrícolas, dos tipos mais procurados pela agricultura local. Um pequeno arrojo, mas um primeiro salto: arados e charruas de tração animal, carroças e carros de bois.

Primeiro foi o diesel
Sempre deu um passo à frente do seu tempo, e dois teria dado se a energia elétrica não tardasse a chegar a São João das Lampas, pois que uma década se passaria sem que pudesse desenvolver mais a sua indústria, confinado ao motor diesel, ainda que esforçado, a única força motriz para o seu profícuo engenho.

Falecia antes da chegada do luminoso progresso à freguesia, apenas no início da década de 60. Mas os seus descendentes honraram-lhe o passado empreendedor e a resiliência, e em maio de 1961, ergueu-se uma moderna sede industrial, com mais de 3300 m2 de área coberta. Assim se aperfeiçoaram as produções, se aumentaram os volumes e se atingiram novos mercados.



Para almejar tais objetivos tornava-se imperioso dar os saltos tecnológicos, e o primeiro já tinha ocorrido no início da década de 50, coincidindo com o início do decisivo processo de mecanização da agricultura portuguesa, de que foi a Galucho precursora. Acontece que a maior parte das alfaias e peças de movimentação, então ainda importadas, eram demasiado frágeis para suportar as condições de operação em Portugal. À Galucho coube a tarefa de soldar e reforçar os pontos frágeis de tal material, de fabricar alfaias de raiz, de temperar o aço ao jeito dos solos portugueses. Corria o ano de 1953 quando a metalomecânica de S. João das Lampas passou a ter todo um país por horizonte.
 

A expansão
A mudança para as atuais instalações, hoje com uma área coberta de 50 mil m2, em área total de 230 mil m2, com um segundo núcleo de instalações fabris em Albergaria-a-Velha e pólos de produção (em joint-venture) na Argélia (Sidi Bel Abbès, Argel e Tiaret), abriu caminho ao desenvolvimento industrial e ao reforço da competitividade que só encontrava paralelo nos grandes empórios europeus.



O equipamento modernizara-se, sofisticara-se por graça da informática e da eletrónica a produzir diariamente 100 alfaias e 20 reboques. Nos anos 80, dirigia-se aos mais influentes países europeus, como a Alemanha, a França e Inglaterra, o principal fluxo das exportações. E no dealbar do séc. XXI, a Galucho já chegou a todo o lado. Com uma linha completa para mobilização e cultivo agrícolas e de transporte, em 100 anos já chegou a mais de 90 países, detém uma quota de mercado na casa dos 60% e desenvolve operações em França, Espanha e Argélia.

 

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