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A debulhadora de Gaeiras não é uma peça de museu

24/08/2015

Procurámos saber a história por detrás da máquina e o Rui explicou-nos o porquê de esta debulhadora ter sido conservada em boas condições e ainda continuar, campanha após campanha, ano após ano, a fazer a debulha.

“Acho que é por paixão mesmo” começou por nos dizer. “Além da paixão, a outra razão para a máquina estar em funcionamento até 2015, é que aqui na zona a orografia das terras não permite o trabalho em segurança de uma ceifeira-debulhadora convencional. E então as pessoas que foram mantendo alguma produção de outono-inverno, têm sempre recorrido a esta debulhadora estacionária”.

Não sendo uma peça de museu, como claramente não é, “a máquina foi sofrendo algumas ‘modernizações'. É o caso do elevador que transporta as paveias”, mas não só. “Também a antiga enfardadeira foi substituída por uma mais produtiva Welger AP 53 D”. “O trator que a faz mexer é um Hanomag, também com alguma idade creio que com um motor de 70 ou 75 cv”, explica-nos o Rui.

Mas afinal como é que a máquina chegou até aqui? “Há uns 40 anos talvez, foi comprada por um latifundiário da zona sul do concelho de Caldas da Rainha. Mas com os negócios a correrem noutro rumo, vendeu-a anos depois ao atual proprietário, meu tio-avô Raúl Simões, prestador de serviços agrícolas do concelho de Óbidos, pessoa estimadora que tem um parque de máquinas simples, mas sempre muito bem conservado, e que sempre serviu muitos agricultores”.

O trabalho da debulha não ocupa muitos dias: “Em 2013 tivemos quatro dias de trabalho, os outros dois anos cerca de três dias”. Para fazer funcionar o conjunto são precisas três pessoas: “Um trabalhador a dar ‘pão’ à máquina, um saqueiro, e um fardeiro”.
É sem esconder algum orgulho que o nosso leitor nos diz que, desde a campanha de 2012, faz parte da pessoal que dá vida a esta antiga debulhadora: “Trabalho como saqueiro e a dar pão ao bicho. É um trabalho duro e cansativo mas que gosto muito de aprender, para um dia mais tarde poder dizer eu também sei o que isso é".

 

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