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Gestão de parque de máquinas

+ Alimento + vacas + leite
querem máquinas fiáveis

29/05/2019

Choveu, finalmente, sobre a Herdade do Olho de Bode de Baixo, em Canha, concelho do Montijo, mas foram necessários uns 15 dias para a erva, mais o azevém, a luzerna e aveias (estas esporadicamente) que ali se produzem, ganharem a maturidade e a altura necessárias para se proceder à colheita da forragem. A revista abolsamia ficou a saber como é gerida a maquinaria da AgroLeite, de Hélder Duarte, membro da família proprietária da Montiqueijo, queijaria que abastece, diária e exclusivamente, com 25 mil litros de leite.

Entre o chaparral e o grande hangar onde se acolhe a maquinaria, diante das vacarias onde a ordenha mecânica, três vezes por dia, recolhe o leite de 700 vacas, Hélder Duarte fala sobre a mais recente aquisição, uma encordoadora Kuhn Merge Maxx 950, marca representada pela Auto-Industrial e vendida pela OVS, concessionária de Benavente. E levou-nos a ver o trabalho.


Marcas prediletas
“Podia ter optado por outra marca, mas sempre gostei mais da Kuhn. Talvez, também, porque o concessionário fica perto e porque gosto da forma como trabalha. Mas, obviamente, também pela marca, que é boa. A anterior máquina era a Kuhn GA7501, mas só trabalhava até 7,40 metros. Esta faz dez metros e pode juntar para onde quisermos – direita, esquerda ou centro – e faz paveias com intervalos de 20 metros. Quando começámos aqui, em 1999, tínhamos máquinas mais pequenas, mas à medida que fomos crescendo fomos aumentando as suas dimensões”, diz Hélder Duarte, adepto confesso, também, dos tratores New Holland, que preenchem o resto do parque, e que agora fazem os trabalhos que requerem mais energia. O mais recente é um T7.315, que rebocava a Merge Maxx. Abastece-se na AMC Igreja Nova (Mafra).

Porquê, disse não saber, mas assim o é, e desde sempre: “Ainda era solteiro e já era adepto da Fiat. O primeiro trator que tive foi um 420 DT, depois um 70-106 DT, depois troquei o 420 por um 45-66. Este, para mim, era o rei dos tratores. Tinha tudo bom: travões de qualidade, mobilidade, equilíbrio. Era espetacular. A empresa começou a crescer e comprámos um 80-66, em segunda mão. E mais dois, que ainda cá estão, que devem ter entre 25 a 30 mil horas. É chegar lá e dar à chave, pois demos sempre boa manutenção. Temos ainda um TS 115 com mais de 20 mil horas, um TM 155 com juntador, um Ford 7810 usado para rebocar o unifeed.” E ainda outro Fiat, um 160-90, mas este tem uma história muito própria que o anfitrião também contou (ver outro texto).
As vacarias têm mais animais que não os de elevada produção de leite. Todos bovinos, 1500 no total. Abastecer a queijaria de Lousa (Loures) não é brincadeira. Fundada em 1963 pelo casal Carlos e Ludovina Duarte, pais de Hélder Duarte, esta começou por vender queijo fresco em Lisboa, por si distribuídos, nos tempos de maior juventude. Fresco, em requeijão, ou curado, todo o queijo é produzido com leite de vaca, e de proveniência exclusiva da Herdade de Canha. E para isso é preciso muito campo para garantir tanta forragem para alimentação.

As distâncias são longas e seguimos de pick-up. Ao lado corre um extenso campo de produção de energia por sistema fotovoltaico. A exploração está segmentada, que no total soma mais de 400 hectares, e ainda há outros 700, dois pivôs para milho, estes alugados. “Algum deste é para vender, pois não necessitamos de tanto, mas a maior parte é para a alimentação do gado”, justifica Hélder Duarte, que diz só comprar o núcleo para as vacas de leite, que engloba rações de soja e ainda outro feito por nutricionista na fábrica de rações e que adequa a farinha à forragem. Uma unifeed Matrix faz toda a mistura. “Plantamo-la com as caraterísticas desejadas e se fazemos luzerna aos cinco anos, embora a sua vida útil seja de sete anos, trabalhamos a aveia consoante os anos e o preço da semente. Este ano foi cara, pois há dois anos tivemos seca. Tudo indica que as azevéns andarão à volta de 1,50/1,60 o kg. Metemos 30 kg por hectare”, explica, lembrando sempre que a AgroLeite produz diariamente 25 mil litros de leite.

Acumulamos ao fim-de-semana 50 mil litros que expedimos de dois em dois dias, pois a queijaria requer 40 mil litros por dia”, explica Hélder Duarte, que se detém a ver o trabalho da gadanheira Kuhn, um conjunto triplo, a frontal com lift control (FC3525 DF) e duas traseiras (FC 10030 D).

 

Nem mais nem menos, apenas o adequado

Segue-lhe a Merge Maxx, o que nos leva à questão seguinte - o que mais pesa no ato de escolha das máquinas? “Tentamos adequar a maquinaria às verdadeiras necessidades da exploração, na medida certa. O modelo maior nem sempre é necessário. Neste caso, faço uma passagem com esta gadanheira, que já tinha, e a segunda passagem com a encordoadora e está feito”, reage Hélder Duarte, que se assume extremoso nos cuidados de manutenção do material: “A gestão do parque é feita pelas horas de trabalho e pela manutenção atempada. Estas máquinas da Kuhn não causam grande preocupação. É normal as peças sofrerem desgaste, sejam os patins, os discos, as facas. Com as caixas, carretos e cremalheiras, não tenho tido problemas. São fiáveis.” Ato contínuo, especifica que a ensiladora New Holland FR700 fez 400 hectares num ano.

“Se fosse alugador já teria feito 1500 ou 2000 hectares. Tudo tem a ver com o trabalho e a estima que lhe damos. Esta [a gadanheira] trabalhou ontem e amanhã já a vamos lavar. Se ficar aqui erva dentro, nos cantos, esta começa a fermentar e a criar ferrugem. Ora, sem resíduos não há perigo para a máquina. Também faço de mecânico, ainda que para algo mais complicado recorra ao torneio em Pegões. A nível de assistência sirvo-me no Etelgra [concessionário New Holland em Vendas Novas]”, acrescentou.

 

Mais investimento, melhor controlo

A AgroLeite deixou de recorrer à prestação de serviços, a não ser para a campanha do milho, pois precisa de mais reboques. O que implica o reforço do investimento em aquisições para o parque de máquinas. Hélder Duarte, que viaja frequentemente para ações de formação nos EUA, ao Texas e Califórnia, onde tem muitos amigos produtores, revela agora acentuado pragmatismo na abordagem financeira da exploração: A ensiladora New Holland para a silagem do milho custou 700 mil euros. Ora, por ano eu pagava 70 mil euros a um alugador para cortar o milho, o que me ficaria mais barato, pois as peças de desgaste são por conta dele. Mas por uma questão de qualidade da comida para os animais, e pelos dias mais adequados para que possamos proceder ao corte, passo a ser eu a controlar a operação, pelo que me decidi pela compra. Ganhamos qualidade na alimentação que se traduz em mais litros de leite. Também, se mandar o alugador cortar o milho com 12 cm e se o esmagador trabalhar bem os bagos, a máquina vai comer mais 200 litros de gasóleo. Ora, nem sempre o alugador faz o melhor trabalho, pois não quer gastar tanto.

A vida útil de uma máquina destas é de dez anos, mas se esta trabalhar só para nós provavelmente vai durar mais. À cabeça, é um grande investimento, mas por outro lado será uma segurança para todo esse período.”

 

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