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Gestão de parque de máquinas

Uma casa de Vairão onde o verde Fendt domina

21/04/2020

Levados por caminhos ladeados por muros de pedra, alguns bem altos, chegamos a São Salvador de Vairão. Na aldeia, cuja existência se julga remontar ao século X, passamos ao lado do Mosteiro e continuamos.
Subimos um pouco mais, até termos vista de mar, e aí estamos, à entrada da casa que vamos visitar.
Transpomos o portão, e lá dentro estão à nossa espera os três cuidadores da exploração: o jovem José Pereira, Jorge Ramos, seu pai, e Artur Ramos, seu tio.
Em redor, tratores de várias épocas. E de uma única marca: Fendt.
É sobre os tratores que a conversa se desenvolve e aos poucos vamos conhecendo um pouco da história desta família e da agricultura local.
Estamos no Douro Litoral, concelho de Vila do Conde. Na região, há várias explorações leiteiras e os tratores Fendt são bastante populares. Assim é também na Sociedade Agrícola Casa Pereira, onde não têm tido entrada tratores de outra marca.
“Desde 1964, apenas têm entrado nesta casa tratores Fendt”, começa por dizer Jorge Ramos. O de mais idade, modelo Farmer 1Z, foi comprado pelo seu pai quando fez a transição para a tração mecanizada. O mais recente é um Favorit 712 Vario. A transição para mais tecnologia e para maior potência nos tratores da casa foi sendo feita de forma gradual, como se vê pelos tratores de várias gerações que compõem a frota. 
No total são oito os tratores, embora dois deles sejam praticamente peças de coleção. Mas são seis os que contam verdadeiramente como força de trabalho para levar alimento às 60 vacas de leite e aos 80 a 100 novilhos que costumam ter à engorda.
A área trabalhada está repartida por várias parcelas, todas próximas das instalações principais. Em conjunto, são 52 hectares, onde o milho se evidencia como cultura principal.

Cada trator tem as suas funções
Com cada trator dedicado à realização de determinadas funções, é assim minimizada a necessidade de trocar constantemente de alfaia. 
Por isso, o Farmer 102 usa quase sempre o rodo, para dar um jeito ao estábulo, já o Farmer 103 faz parelha com o unifeed, e o Farmer 105 S está destinado a rebocar a cisterna Reboal de 8.000 litros, para fazer a manutenção das fossas. O Farmer 309 calca o silo e, sobretudo, faz parceria com o carregador, para limpar os estábulos, movimentar os estrumes, e para carregar o unifeed. É auxiliado pelo 280 S, que também tem carregador, e que já conta umas respeitosas 24.000 horas. São também estes dois tratores que gadanham e encordoam. Quanto ao 712, repousa na vacaria que fica sob o telheiro, só a olhar para o que se vai passando. Tem a seu cargo os trabalhos mais pesados, tendencialmente fora da vacaria, com a cisterna Rocha de 18.000 litros, o reboque de silagem, a charrua e o rototerra.

Prestação de serviços
Os irmãos Ramos consideram que é importante ter capacidade de resposta para fazer o trabalho na altura certa. Mas, mesmo quando os afazeres ficam folgados, procuram manter o ritmo. “As máquinas custam muito dinheiro e tentamos rentabilizar fazendo prestação de serviços”, assinalam. 
Na região há explorações pequenas que se dedicam ao leite e que optam por não ter máquinas. “Aqui, houve uma altura em que as pessoas todas queriam ter as suas máquinas. Entretanto, a mentalidade foi mudando e já há muita gente a recorrer à prestação de serviços”. É a estes pequenos agricultores que vão dando resposta. 
Contratação de serviços
Inversamente, há duas situações em que também contratam serviços. Na Claas Jaguar só têm frente de milho. Então, quando fazem ensilagem de erva, recorrem a um prestador. O mesmo acontece com a enfardação. Possuem uma Claas Quadrant de fardos quadrados, para feno, com a qual trabalham muito para fora. Mas não têm enfardadeira de rolos. Quando é para enfardar em verde, contratam.

Às horas vagas, a manutenção
Na época baixa dos trabalhos no campo, José, Jorge e Artur dedicam a manhã a tratar dos animais e vão reservando algum tempo às tarefas de oficina. “Somos nós que fazemos grande parte da manutenção das máquinas. Se for preciso retificar um motor ou mexer numa caixa, aí já não arriscamos”, esclarecem. “Nos [tratores] de tecnologia simples, é fácil. Mas temos o 700 com caixa Vario e nesse, se houver algum problema, recorremos a uma oficina credenciada”, sublinham.
Mas não é só da mecânica que cuidam. Instalações elétricas, chapa e pintura vão sendo revistas regularmente nesta casa, para que os tratores se mantenham apresentáveis e conservados. Quando um trator está mais necessitado, descascam-no por completo e retocam tudo de uma ponta à outra. Era o que estavam a fazer ao Farmer 105 S por altura da nossa visita.

Novas aquisições?
Com a entrada do José na equipa familiar, a ideia é aumentar a atividade da exploração “para sair mais um ordenado”. Uma possibilidade é intensificarem um pouco a prestação de serviços, mas por agora não prevêem adquirir um novo trator. Talvez uma charrua?! As duas que têm, da marca espanhola Lombarte, são de fusíveis, que quando partem, ao lavrar em terrenos com mais pedra, obrigam a parar e a meter mãos à obra. Mas “uma charrua nova custa uma pipa de dinheiro e para lavrar 50 hectares por ano, são poucas horas de trabalho”, diz Jorge. Uma charrua non-stop é um investimento que terá ainda de ser pensado.

Adaptações caseiras
No parque de alfaias, a estratégia passa por fazer melhorias antes de se avançar para uma nova aquisição. O distribuidor de fertilizante Eurospand levava dois big bags de 500 kg. Mas como agora se usa mais os de 600 kg, instalaram uma extensão na tremonha e assim fazem menos paragens. Aplicaram o mesmo truque no semeador pneumático Matermacc de 6 linhas. Com uma extensão no adubador, já cabe um big bag dos grandes.

Equipamentos partilhados
Uma exploração vizinha pertence a dois primos de Jorge e de Artur. Com eles, têm vindo a adquirir em sociedade alguns equipamentos mais recentes e dispendiosos, e vão gerindo o seu uso partilhado. É uma estratégia de gestão muito interessante e bem-sucedida.
Há trabalhos que fazem ao mesmo tempo e entreajudam-se; outros vão calendarizando. Quanto à manutenção, é repartida. O que podem, fazem em casa. E se tiverem de ir à oficina, vão. “É a maneira de conseguirmos ter as máquinas e de as rentabilizarmos, porque individualmente não seria possível”, concluem.

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