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Testemunhos: cursos COTS estão em andamento

11/06/2018

Ana Martins, Formadora

É licenciada e mestre em agronomia e dá aulas na Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Serpa. Com uma forte ligação ao campo por via familiar, tem vindo a dedicar-se também à formação profissional com os cursos de aplicadores de produtos fitofarmacêuticos e mais recentemente com os cursos COTS, destinados a quem trabalha com máquinas agrícolas. Tem andado entre Moura e Santiago do Cacém sem mãos a medir.

Os cursos COTS são recentes. Quando começou a dar esta formação e em que locais?

Estou a lecionar o curso COTS desde o início do ano. Estas ações em que estou envolvida estão a ser promovidas por diversas entidades, nomeadamente a Associação de Agricultores do Baixo Alentejo, a Associação de Agricultores do Sul e a CONFAGRI. Neste momento tenho a agenda completamente preenchida com a Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches no âmbito de formação financiada pela CONFAGRI para os sócios da cooperativa. Estou a dar formação em várias localidades, desde Moura até Santiago do Cacém.

O curso é dado em sala, mas inclui também uma componente prática?

Tem uma componente teórica em sala onde apresentamos as estatísticas relativas a acidentes com tratores em Portugal, e onde abordamos assuntos como a condução e prevenção rodoviária com veículos agrícolas, o código da estrada e normas aplicáveis, o código do trabalho e normas aplicáveis, os equipamentos de segurança e proteção coletiva do trator, ou ainda o equipamento de proteção individual.

Posteriormente, tem uma componente prática ministrada no terreno, onde são abordados temas como conduzir e operar com o trator em segurança, e conduzir o trator em condições perigosas e operar com órgãos ativos.

É nesta fase que os formandos engatam e desengatam alfaias e operam o trator de acordo com os procedimentos de segurança corretos. Muitos afirmam ter executado estas tarefas a vida toda, mas não desta forma. E aí reconhecem e valorizam a importância da formação. No final da ação são submetidos a uma prova prática e uma prova oral de conhecimentos pelo Ministério da Agricultura.

No âmbito da obrigatoriedade imposta pela ACT, apenas fica dispensado de realizar esta formação quem tiver obtido a Licença de Condução através de formação profissional...

Sim. Quem tira a Licença numa escola de condução não tem contacto direto com a realidade de trabalhar com uma alfaia em segurança, ou formação sobre como conduzir e operar o trator em segurança. Há muitos acidentes que acontecem com alfaias e quando se tira apenas a Licença não são abordados estes assuntos.

Os formandos são recetivos à formação?

Há pessoas que veem o COTS como uma mais-valia e inscrevem-se mesmo possuindo uma formação de base que as dispensaria de fazerem o curso, como é o caso de quem tenha obtido a Licença de Condução através de formação profissional. Fazem-no sobretudo por uma questão de reciclagem de conhecimentos, em especial devido a atualizações na legislação.

Há também alguns formandos que demonstram descontentamento total, porque sempre trabalharam com máquinas agrícolas e acham que não precisam de formação. Mas sabendo que se não a fizerem correm o risco de coimas, inscrevem-se e frequentam a formação. Em geral, mesmo estes formandos acabam por reconhecer que foi uma experiência útil e gratificante.

Felizmente, até ao momento posso afirmar que de certa forma tenho conseguido atingir os objetivos mudando a mentalidade e a noção que tinham da realidade antes de frequentarem a ação.

No decorrer do curso, quais são os maiores desafios com que se depara?

Tentar mudar a mentalidade das pessoas, particularmente das pessoas de mais idade. As estatísticas comprovam que a maior parte dos acidentes ocorrem com pessoas de idade superior a 65 anos. O desafio é procurar que mudem os hábitos. Pelo facto de trabalharem diariamente com máquinas desde há muito tempo, não quer dizer que façam os procedimentos corretos. Relativamente à segurança, há muitas falhas e muitas delas são graves.

Concretamente no domínio da segurança, pode dar-nos exemplo de alguns aspetos que são abordados?

A maior parte dos acidentes ocorre por falta de cuidado. Existem estruturas de proteção nos tratores mais recentes, mas muitas pessoas o que fazem é rebater o arco, ou porque precisam de passar por debaixo da copa das árvores ou porque precisam de entrar numa estufa, e depois dificilmente voltam a colocar o arco de segurança ativo de forma a andarem protegidos. Este é um dos assuntos que abordamos.

Depois, o facto de circularem com os pedais de travões sem estarem com a patilha ligada, para ambos os lados travarem em simultâneo, é outro dos motivos do reviramento e capotamento.

Alertamos ainda para as alterações caseiras que são efetuadas às máquinas. O veio de cardan é outro elemento que leva à ocorrência de muitos acidentes, devido à falta de
proteção. As pessoas retiram a proteção porque acham que atrapalha e noutros casos porque se danifica e não voltam a colocar. Esta é também uma questão fundamental.

A nível nacional o que está a acontecer?

Há cursos financiados que contemplam 50 horas de formação, e há cursos pagos pelos formandos que contemplam 35 horas de formação. Neste momento, ainda há poucos técnicos credenciados para lecionar o curso COTS, o que limita a possibilidade de mais pessoas poderem realizar a formação.

 

Nelson Banza, Agricultor

Os avós e os pais eram agricultores e Nelson Banza não foi exceção no percurso que escolheu. Ligado ao campo desde muito cedo, é ele quem dá continuidade ao negócio de família no Monte do Carregueiro, em Aljustrel. Completou recentemente o curso COTS e falou-nos desta experiência.

“Mas o que é que eu vou aprender neste curso”? Foi a primeira ideia que lhe veio à cabeça quando ouviu falar desta ação de formação?

Fazer uma formação é sempre uma grande valia, tanto pessoal como profissional, seja qual for a atividade laboral que se exerça. Por vezes as rotinas no trabalho não são as mais corretas, por isso na formação adquire-se uma metodologia mais apropriada ao exercício de determinadas tarefas que por vezes têm associado um risco elevado. Reconheço uma grande importância a esta formação, pois todos nós temos consciência de que não fazemos tudo como deve ser e que por vezes cometemos erros irremediáveis.

Após ter completado o curso, que avaliação faz da experiência?

A avaliação que faço é bastante positiva tanto no contexto teórico como prático. Sou apologista de que se façam mais formações neste âmbito, pois na agricultura há muitas pessoas com mais de 65 anos, que é a faixa etária onde ocorre a maior parte dos acidentes, e que nunca tiveram formação de base para exercerem a sua atividade de forma segura. Mas independentemente da idade, a sensibilização é sempre importante e todos os dias aprendemos.

De entre os ensinamentos que adquiriu, quais são os que para si têm mais utilidade no dia-a-dia?

De entre os ensinamentos que considero de maior relevância, está a legislação a respeito da sinalização obrigatória para circular na via pública com um veículo de marcha lenta com alfaias montadas ou rebocáveis e carregador frontal.

Outro ponto muito importante são as dimensões máximas que estes veículos podem atingir para circular na via pública. Existem situações excecionais que interessa conhecermos para não nos sujeitarmos a coimas.

Dou ainda relevância às normas de segurança abordadas na formação, em particular a utilização dos veios de cardan com a devida proteção, pois uma simples cápsula plástica oferece-nos uma segurança significativa, bem como o uso de cinto de segurança e estruturas de proteção.

 

António Ferreira, prestador de serviços

A Sociedade Agrícola do Monte Novo dedica-se à agricultura e à prestação de serviços agrícolas, nomeadamente em trabalhos de preparação de solo, enfardação e debulha. Esta casa é representada pelos Irmãos Ferreira, António e José. Estivemos à conversa com António, que nos falou da experiência, agora que ambos concluíram a formação COTS.

“Mas o que é que eu vou aprender neste curso”? Foi a primeira ideia que lhe veio à cabeça quando ouviu falar desta ação de formação?

Sem dúvida que foi o que nós pensámos quando ouvimos falar na formação, pois temos mais de trinta anos de trabalho com máquinas agrícolas e equipamentos.

Após ter completado o curso, que avaliação faz da experiência?

Após frequentarmos a formação vimos que foi uma experiência útil. Apesar de nos parecer um pouco excessiva em número de horas, tivemos uma formadora bastante profissional e responsável, que nos fez ver e relembrar certos perigos que corremos quando manobramos as máquinas e equipamentos. Foram também muito úteis o convívio e a partilha de experiências com outros colegas de trabalho. Infelizmente todos nós já apanhámos algum susto com máquinas e dessa forma esta partilha fica como um alerta.

De entre os ensinamentos que adquiriu, quais são os que para si têm mais utilidade no dia-a-dia?

Todos os ensinamentos foram muito úteis, mas mais ainda os cuidados a ter quando engatamos e desengatamos qualquer equipamento, e os cuidados a ter quando os operamos em trabalho, bem como a sensibilização para o equipamento de proteção individual que devemos usar. Outro ponto forte da formação é a circulação na via pública com máquinas e equipamentos e a sinalização que devemos usar.

 

Às voltas com a nova legislação? Leia aqui o nosso artigo especial.

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