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Talhar a gosto o habitáculo

22/05/2019

A agricultura é um sector vasto e diverso, e cada exploração tem características tão únicas, que cada agricultor o que gostaria de ter era um trator feito à sua medida. E em parte já é um pouco assim.

No catálogo de algumas marcas é possível escolher o tipo de suspensão na cabine, e se esta é de quatro ou de cinco pilares, o tipo de assento, o número de distribuidores hidráulicos, se são de atuação elétrica ou não, o nível de fluxo da bomba, o tipo de transmissão, se o eixo dianteiro tem suspensão, e uma série de outras especificações.

A par destas opções, vão surgindo edições especiais com diferenciações na estética e nos acabamentos. E para algumas marcas até o tempo da cor única ficou para trás. Por vezes, dentro do mesmo segmento há a possibilidade de optar por motorizações com diferente número de cilindros, mas situadas num mesmo nível de potência. Não é pouca coisa.

Usualmente, a cada nível de especificações ou a cada versão da transmissão estão associadas diferentes arrumações do habitáculo. Sem apoio de braço e comandos dispostos na consola direita, ou com um tabuleiro de comandos concentrado num apoio de braço. Há até modelos que não têm instrumentação na coluna de direção, ao estilo americano, e outros que ali posicionam uma grande parte dos visores de monitorização, seguindo um estilo mais europeu.

E aqui entramos no campo da ergonomia. As mudanças têm-se feito com rapidez e melhorias, surgindo novas versões em intervalos que por vezes não excedem os dois anos. Mas por mais que se aperfeiçoe não é possível agradar a todos. Acontece-me com frequência estar num grupo de pessoas em redor de um trator e as opiniões a propósito do posto de condução divergirem muito. ‘Está mesmo bem conseguido’, ou então ‘com esta arrumação não me dá jeito nenhum’.

Quando visitei a fábrica da marca suíça AEBI houve quem achasse que o joystick do modelo Terratrac era demasiado pequeno. E outros disseram que era demasiado grande. No ano seguinte, os responsáveis da marca comunicaram-nos que passaram a ter dois tamanhos de joystick. É um simples exemplo de como é possível ajustar aspetos de ergonomia.

Em máquinas simples, de baixo preço, para uma utilização ocasional, a ergonomia não é um elemento de tão grande importância. Ora, quando as marcas redesenham os comandos dos seus modelos mais premium é natural que os submetam à apreciação de uma amostra de utilizadores. Se o trator ou a máquina se destina a ser manuseada por mais do que uma pessoa este tipo de abordagem faz sentido.

Mas, de uma amostra não sai um resultado ideal para cada pessoa em particular. Se se trata de um agricultor ou prestador de serviços que compra uma máquina para ser manobrada por si próprio numa utilização intensiva, a ergonomia assume um diferente peso.

Para quem investe 150.000 Eur ou mais, e que para além de uma máquina está a comprar um posto de trabalho onde vai passar milhares de horas, é muito importante que o dimensionamento e a arrumação dos comandos corresponda às suas expectativas e às suas preferências.

A máquina pode ser o non plus ultra do que precisa, mas para quem estivesse disposto a pagar o serviço, idealmente cada fabricante de topo deveria dispor de um alfaiate que talhasse a gosto os principais elementos de um habitáculo onde o utilizador vai trabalhar durante os próximos anos. Algum dia virá a ser assim?

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