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Relatório da Axema dá nota positiva a 2020 e prevê crescimento económico do setor agrícola em 2021

08/06/2021

A pandemia da Covid-19 provocou uma crise mundial na saúde e, no que toca especificamente ao setor da agricultura, uma semelhante nas colheitas do verão de 2020 mas, pese embora este acontecimento, o ano passado não se revelou o «annus horribilis» que todos os profissionais ligados ao setor esperavam. Esta é uma das conclusões concretas do Relatório Económico de 2021 do Sindicato Francês dos Fabricantes de Equipamentos Agrícolas (AXEMA), que fez o balanço de 2020 e perspetivou resultados positivos para o ano em que nos encontramos. Uma das razões para que 2020 seja considerado «um ano de estabilidade no mercado da maquinaria agrícola» está relacionada com a força manifestada na recuperação da atividade agrícola a partir de abril e maio, a qual acabou por prolongar-se durante todo o ano, esfumando assim o declínio evidente no primeiro trimestre.

As vendas de novos equipamentos por parte de fabricantes para a sua rede de distribuição ou diretamente para o cliente final mantiveram um resultado financeiro estável, com valores situados nos 6,1 mil milhões de euros, números próximos dos que haviam sido alcançados em 2019 [ver quadro abaixo], o que surpreendeu os fabricantes e que os levou a considerar este resultado como «excecional» face às condicionantes que os sucessivos confinamentos impuseram. "A manutenção significativa da atividade da produção agrícola e do setor agroalimentar durante o confinamento permitiu, ainda assim, mitigar os impactos desta crise sanitária. Neste ponto, a ajuda do plano de recuperação tem sido determinante para dar aos agricultores os meios necessários para a modernização das suas explorações e fazer acelerar a sua transição agroecológica", afirmou Jean Christophe Regnier, Presidente da Comissão Económica da AXEMA. 

 

 

Mercado dos tratores estabilizado

Se todo o mercado da maquinaria agrícola seguiu uma linha de estabilidade em 2020 em relação ao ano anterior, o mesmo sucedeu com o mercado dos tractores agrícolas, o qual representa 25 a 30% das vendas de novos equipamentos. Num plano geral, a família de produtos agrícolas teve um resultado estável a nível de vendas mas os principais destaques vão para os equipamentos para espaços verdes, semeadores e máquinas de cultivo (subida ligeira) e os equipamentos de rega e irrigação (forte aumento).

No plano oposto [ver quadro abaixo] encontram-se os equipamentos para colheitas e fertilização, ainda que tenham sido quebras ligeiras. Neste campo, a nota de maior destaque vai para o facto de não se ter registado qualquer quebra igual ou superior a 10% em relação a 2019, pese embora o contexto de pandemia que 2020 apresentou, provocando a crise sanitária que abalou o mundo inteiro.

 

 

 

Alerta importante para 2021 e anos seguintes

O crescimento evidenciado no segundo semestre de 2020 permitiu ao setor agrícola manter a mesma dinâmica de mercado no começo de 2021, o que levou os profissionais do ramo a perspetivar um crescimento na ordem dos 5 a 7% até ao fim deste ano. Contudo, existe uma questão a levantar sérias preocupações quanto a este ano e aos que se lhe seguem: um aumento descontrolado dos custos de produção (matérias-primas industriais, energia e transporte) que levou mesmo a AXEMA a apelar, no seu Relatório Anual, ao governo francês para atuar «no restabelecimento das condições de mercado das matérias-primas industriais e, em particular, do sistema europeu de limitação das importações do aço, condição essencial para o estabelecimento da capacidade de produção da maquinaria agrícola em França e na Europa».

Segundo um inquérito da AXEMA, 94% das empresas europeias vive dificuldades de abastecimento, sendo que 75% destas enfrenta um problema de escassez de abastecimento do aço, componentes eletrónicos e hidráulicos, exatamente por esta ordem. Finalmente, 13% do mesmo grupo de empresas acredita que o encerramento temporário de determinadas linhas de produção é um cenário inevitável.

Neste campo específico, só para se ter uma ideia clara, o preço do aço, que representa 30 a 40% do custo médio de fabrico de equipamentos agrícolas, mais do que duplicou num ano, passando de 550 euros por tonelada para... 1.250 euros por tonelada.

«O setor industrial da maquinaria agrícola já é um dos menos rentáveis da indústria francesa com uma taxa de lucro líquida de 2%, contra os 6% da indústria transformadora como um todo. Esta situação é extremamente prejudicial para a atividade de um setor que tem um papel fundamental a desempenhar tanto para a recuperação industrial como para a transição agroecológica, que são dois grandes temas da France Relance [Plano de recuperação económica, social e ecológica lançado pelo governo francês em setembro de 2020]», alertou Frédéric Martin, presidente da AXEMA.

Referência ainda para o apelo da AXEMA para a «implementação de uma política de médio e longo prazo, permitindo a todos os intervenientes do setor gerir as inevitáveis perturbações tecnológicas, económicas e psicológicas causadas por esta transformação agroecológica.»

 

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