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Entrevista

Entrevista com Sérgio Oliveira, Marketing Technician da Pulverizadores Rocha.

23/07/2022

A Pulverizadores Rocha nasceu em 1946 com o fabrico de pulverizadores manuais de dorso. Sete décadas depois é uma referência nacional no setor da maquinaria agrícola. A fábrica, instalada em Milheirós, Maia, numa zona industrial onde já floresceu a indústria têxtil, beneficiou desde 2015 de uma considerável expansão e renovação. A nova organização da fábrica baseou-se na introdução de um novo sistema de produção, o Lean Production System, passando a Pulverizadores Rocha a fabricar apenas para as encomendas que tem em carteira.  “Em 2015 tomámos a decisão de, mantendo as infraestruturas no mesmo local, aumentar a área e reformulá-la, tirando partido dos armazéns vizinhos que foram ficando disponíveis. Aproveitámos também este investimento que fizemos em infraestruturas de raiz para montar tudo de acordo com os princípios do Lean Production System, mudando todo o fluxo da nossa vida fabril. Desde essa altura até agora, todos os procedimentos foram monitorizados e melhorados diariamente”, explicou Sérgio Oliveira.


Assim, a montagem passou para uma nova área de 4000 m2 e a logística para uma área de 3800 m2. No somatório das áreas novas com as que já existiam, a empresa ficou com uma área total de 13.500 m2. “A par do novo armazém para a montagem, onde está também instalado o Departamento de Engenharia e o de Inovação e Desenvolvimento, investimos no edifício da Área de Logística. Esta está dividida em duas áreas: interna, que alimenta a nossa linha de montagem, e externa, que engloba tudo o que fazemos a nível de expedições de produto acabado, basicamente, peças e acessórios. Também ela funciona com os princípios do Lean Production System”.

 

O que é a Metodologia Lean?

A metodologia Lean resulta de uma integração de métodos e ferramentas desenvolvidos na década de 90 no setor industrial e, em particular, na indústria automóvel, onde a Toyota desenvolveu o “Toyota Production System”. O Lean Production System centra-se na eliminação/combinação/redução das atividades que não acrescentam valor e que geram desperdício e custos para a empresa.

 

Produzir por encomenda para entregar em 10 dias
A adoção dos princípios do sistema de produção que vai buscar as suas raízes à Toyota, teve como objetivo aumentar a produtividade da empresa. Para isso, a Pulverizadores Rocha contou com a ajuda do Instituto Kaizen, nomeadamente na fase de implementação. “Quando criámos o processo de implementação da Metodologia Lean, em conjunto com o Instituto Kaizen, fizemos vários cursos internos com equipas multidisciplinares. Num deles, por exemplo, fizemos um “jogo” onde tínhamos de montar 10 fichas elétricas e havia duas opções: montar as dez de forma seguida ou ficha a ficha. Este exemplo é paradoxal do que, para nós, Rocha, resulta: é muito mais proveitoso montar máquina a máquina do que máquinas em série. Explico porquê: antes da introdução desta Metodologia, para sermos eficientes, precisávamos de produzir 30 máquinas em série de um determinado modelo, mas só tínhamos encomendas em carteira para 10. Mas para satisfazer aquelas 10 encomendas tínhamos, na mesma, de produzir as 30, ficando com 20 em stock. Ou seja, produzíamos máquinas para as quais não tínhamos clientes. Por outro lado, tinha, na mesma, clientes à espera de encomendas de modelos diferentes que não entravam em produção enquanto aquelas 30 não terminassem de ser produzidas”, elucidou Sérgio Oliveira. “A introdução desta metodologia permitiu-nos produzir apenas o que temos encomendado e darmos uma resposta mais rápida aos clientes.”


Sete anos depois, os resultados não podiam ser mais satisfatórios. “O nosso lead time (tempo de entrega) médio atual são 10 dias, quando antes da introdução deste sistema estava nos 30 dias. Ao nível da percentagem de entregas que fazemos na data em que dissemos ao cliente que o faríamos, passámos de 55% para 90%. O stock e o espaço para armazenamento também reduziram bastante”.

 

Verticalização de todo o processo
Uma das particularidades da Pulverizadores Rocha é a concentração na sua unidade de fabrico de todas as etapas produtivas. “Temos o processo completamente verticalizado, com exceção de uma parte do tratamento de superfície. Temos a metalomecânica, onde fabricamos o chassis, a fábrica de plástico ou roto moldagem, onde fabricamos os reservatórios em polietileno, e depois temos a montagem. Fazemos todos os processos”, explicou Sérgio Oliveira.


Esta opção, que não é unânime na indústria, optando várias empresas pela subcontratação de algumas fases, foi tomada no início da empresa. No entanto, ainda recentemente, voltou a ser tema de conversa internamente. “Voltámos a analisar o tema e aquilo que concluímos é que é a única forma de conseguirmos garantir com certeza absoluta a qualidade de todos os nossos componentes. Por exemplo, ao termos a metalomecânica conseguimos garantir que esta trabalha de acordo com os padrões de qualidade que queremos para o nosso produto. Claro que fazendo fora é possível fazer controlos, mas, da nossa experiência, concluímos que era mais seguro fazer em casa. O caso do polietileno, foi uma decisão estratégica tomada na altura em que os reservatórios dos pulverizadores deixaram de ser fabricados em cobre e, posteriormente, latão, na década de 70. Estando em Portugal, estávamos a uma distância grande dos principais fabricantes, localizados sobretudo em Itália. Por isso, decidimos fabricar este tipo de componentes e, uma vez iniciado o processo, foi evoluindo e hoje temos uma unidade autónoma e independente onde fabricamos para nós, Rocha, mas também para fora, para outras áreas de atividade que não a agrícola”.

 

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