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Agricultura portuguesa aumenta produtividade com mão-de-obra a cair

01/04/2026

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Nas últimas três décadas, o número de trabalhadores agrícolas a tempo inteiro caiu de mais de 430 mil trabalhadores, para cerca de 220 mil, facto que, conclui o estudo da Consulai, não impediu que o valor gerado tenha aumentado significativamente, com a produtividade a mais do que duplicar. Ainda assim e já nos anos mais recentes, o emprego estabilizou no patamar das 165 mil a 180 mil pessoas, refletindo igualmente uma mudança no perfil laboral, com redução do trabalho familiar e aumento do trabalho assalariado, que já representa cerca de 40% do total.

O estudo destaca também o peso crescente dos trabalhadores estrangeiros, que representam mais de 40% da força de trabalho agrícola — um valor que quadruplicou desde 2014. Estes trabalhadores assumem um papel essencial, sobretudo em culturas intensivas e sazonais, garantindo a continuidade da produção e respondendo a picos de procura.
Ao nível da qualificação, os trabalhadores estrangeiros apresentam, em média, níveis superiores aos nacionais, com 7,5% a possuírem ensino superior, face aos 2,7% dos portugueses. Paralelamente, os salários agrícolas registaram um aumento de cerca de 50% na última década, aproximando-se dos 1.000 euros mensais, embora ainda abaixo da média nacional.

Renovação geracional, precisa-se

O setor evidencia, contudo, desafios estruturais. A população agrícola está envelhecida - a idade média atinge os 59 anos - e verifica-se uma forte ausência de renovação geracional. A escassez de mão-de-obra nacional e o défice de qualificações são apontados como entraves à modernização, num contexto em que a digitalização e a automação exigem novas competências.

Além disso, persistem assimetrias regionais significativas. O Alentejo concentra mais de metade da área agrícola, mas emprega apenas uma pequena fração da mão-de-obra, refletindo um modelo altamente mecanizado. Já regiões como o Algarve e o Oeste apresentam maior intensidade laboral e níveis de produtividade mais elevados por hectare.

Apesar da redução de acidentes de trabalho nos últimos anos, a taxa de mortalidade mantém-se elevada, sublinhando a necessidade de reforçar as condições de segurança no setor.

De acordo com a Consulai, o futuro da agricultura portuguesa passará por um perfil cada vez mais tecnológico do trabalhador agrícola, exigindo competências digitais e técnicas. A capacidade de atrair talento, integrar inovação e valorizar o trabalho no setor será determinante para assegurar a competitividade e sustentabilidade da agricultura nacional.

Futuro dependerá da qualificação

“Nos últimos anos, a agricultura portuguesa protagonizou uma transformação estrutural notável, tornando-se mais produtiva, mais profissional e cada vez mais tecnológica. Paradoxalmente, esta evolução não foi acompanhada por um reforço do prestígio social do setor. Pelo contrário, vieram ao de cima fragilidades já existentes que hoje assumem um carácter crítico e condicionam a sua sustentabilidade e competitividade,  desde a escassez de mão de obra à dificuldade em atrair talento qualificado e jovem”, afirma o Diretor-Geral da Consulai, Pedro Santos.

Assim, “o futuro da agricultura em Portugal dependerá da nossa capacidade de qualificar pessoas, integrar tecnologia e valorizar o trabalho agrícola. Sem uma resposta clara, assente na renovação geracional, em políticas públicas eficazes e realistas, em mais capacitação e organização da produção e do setor, corremos o risco de perdermos o dinamismo conquistado, precisamente num momento em que mais precisamos de o consolidar e projetar no longo prazo.”, conclui o mesmo responsável

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