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Nove robots que não pode mesmo perder na GOFAR Tour em França

23/01/2026

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Nove plataformas robóticas inéditas na FIRA, reunidas no mesmo arranque da GOFAR Tour, em França. Para um setor onde a diferença entre a promessa e o desempenho real ainda é grande, este tipo de alinhamento permite comparar abordagens (elétrico vs híbrido, RTK/visão/LiDAR, autonomia total vs a supervisão humana) e perceber quais já estão maduras para entrar no plano de operações.

R4 (New Holland Agriculture)

O New Holland R4 (CNH) aparece como uma plataforma autónoma orientada para as vinhas, pomares e culturas especiais, com o foco nas tarefas repetitivas como gestão de coberto, mobilização e pulverização. A navegação combina GPS, LiDAR e câmaras, com operação remotamente supervisionada, e há duas configurações com filosofias distintas: o R4 Electric Power, 100% elétrico com bateria de 40 kWh para vinhas estreitas, e o R4 Hybrid Power, que junta um motor diesel compatível com HVO e a tração elétrica para linhas mais largas e jornadas mais longas. Em ambos, a receita inclui rastos de borracha (para maior tração e menor compactação), potência elétrica para alfaias e funções de pulverização “inteligente”.

GUSS (John Deere & GUSS Automation)

Na pulverização, a GUSS Automation traz uma proposta muito orientada para produtividade em janelas curtas: pulverizadores autónomos capazes de trabalhar dia e noite, com base tecnológica em GPS e LiDAR e um modelo operacional pensado para maior escala. O argumento-chave é simples e impactante: um operador pode monitorizar uma máquina ou uma frota de até oito unidades (GUSS, mini-GUSS e Herbicide GUSS) a partir de uma pick-up, com um portátil, reduzindo os tempos mortos e a exposição do trabalhador ao risco.

SRBC (Sabi Agri)

Num registo diferente, o SRBC da Sabi Agri tenta baixar o degrau de entrada na automação com um conceito “em kit” vendido via e-commerce. É totalmente elétrico, modular e é entregue para montagem na própria exploração (estimada em cerca de 4 horas, já com documentação e a formação). Promete versatilidade em sementeira, sacha, monda mecânica, preparação de solo, monitorização e transporte, com guiamento RTK GNSS centimétrico e até 12 horas de autonomia.

RT100 (Kioti)

A logística interna, onde muitas explorações ainda gastam horas “invisíveis”, pode ter o apoio do KIOTI RT100 (KIOTI Europe), um robot elétrico compacto para transporte de colheitas, materiais e ferramentas. A marca conta com soluções práticas como troca rápida de baterias, modo tether-following (seguir o operador), sistema lift & dump com 300 kg de carga útil e controlo por app/remote, incluindo comandos por voz (IA). A estratégia é modular, com variantes de transporte (flatbed e loading deck) e possíveis expansões sazonais.

RX-20 (Pellenc)

Na vinha, o RX-20, da Pellenc, entra como um crawler autónomo de interlinha para manutenção de solo em vinhas largas, com a ambição declarada de conseguir trabalhar sem supervisão humana. Assenta num guiamento por zonas virtuais (Safencing), LiDAR e conta com uma motorização híbrida, uma combinação que, em demonstração, se destaca na prática pela boa resposta perante obstáculos e pelas repetibilidades das passagens.

Rover GW (Cyclair)

Para grande escala, o Rover GW surge com uma mensagem relevante: foi pensado de raiz para campos grandes, talhões irregulares e condições de cultura variáveis, uma diferença importante face a muita robótica que nasceu primeiro em horticultura e em geometrias “perfeitas”. Aqui o que interessa medir é a robustez do sistema em condições mais complezas: navegação, planeamento e consistência de trabalho quando o terreno não ajuda.

Ecorobotix ARA

No capítulo da redução de químicos, o ARA (Ecorobotix) é dos destaques mais fáceis de traduzir para números. A máquina usa câmaras HR de alta velocidade e IA para detetar infestantes e aplicar de forma localizada com alvos de 6×6 cm. O fabricante aponta para uma redução da deriva de até 95% (aplicação perto do solo e coberturas protetoras), redução de herbicida até 95% e um tempo de reação scan-to-spray de 0,25 s, permitindo uma maior capacidade de decisão em tempo real mesmo a velocidades mais elevadas.

RoboCut 360 (Léger SAS)

No pomar, o RoboCut360 aposta numa arquitetura de potência clássica para garantir o trabalho com ferramentas: um motor diesel de 56 cv alimenta duas bombas hidráulicas e um gerador elétrico, enquanto quatro rodas motrizes/direcionais elétricas dão a agilidade e a capacidade de manobrar. O depósito de 100 L aponta para grande autonomia de operação e o conjunto de ferramentas é orientado para a manutenção: triturador de 1,70 m, triturador satélite em interlinha e a escolha entre cabeça EcoCut360 para corte de "ladrões" ou a barra de pulverização com um depósito de 600 litros para tratar a base da linha.

AgBot W4 (AgXeed)

Por fim, o AgBot W4 (2 series) entra como plataforma polivalente para uma mobilização ligeira e cuidados em culturas especiais, com aplicações que vão da manutenção de prados a produções em camalhões (flores, bolbos e aromáticas). É o tipo de robot em que a “novidade” não está num único número, mas na flexibilidade de cobrir rotinas agronómicas com consistência e precisão ao longo de toda a campanha.

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