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John Deere fecha 2025 com lucros de 5.027 milhões de dólares

04/12/2025

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No conjunto do ano fiscal encerrado a 2 de novembro de 2025, a Deere & Company registou um lucro líquido de 5.027 milhões de dólares, o que representa uma contração significativa face aos 7.100 milhões do exercício de 2024. O quarto trimestre acompanhou esta tendência, ao fechar com 1.065 milhões de dólares, abaixo dos 1.245 milhões do mesmo período do ano anterior.

As vendas globais caíram 12% ao longo do ano, atingindo 45.684 milhões de dólares, reflexo direto da desaceleração da agricultura extensiva nos Estados Unidos e Canadá e do impacto acumulado das tarifas e dos custos de produção mais elevados.

Apesar dessa contração anual, o quarto trimestre apresentou um crescimento de 11%, para 12.394 milhões de dólares, evidenciando algum reequilíbrio no final do exercício. Nas operações de equipamentos, as receitas anuais recuaram para 38.917 milhões, mas o último trimestre ultrapassou o desempenho de 2024, alcançando 10.579 milhões, o que indica uma estabilização gradual da procura.

O CEO da empresa, John May, sublinhou que "a John Deere conseguiu manter resiliência e solidez graças às melhorias estruturais implementadas nos últimos anos e à diversidade geográfica e setorial dos seus clientes". Reconheceu, no entanto, que o ambiente de mercado se manteve particularmente desafiante, com pressões acumuladas sobre margens e custos.

Dinâmica dos segmentos de negócio
O desempenho dos segmentos no quarto trimestre revelou contrastes acentuados. A Agricultura Extensiva e de Precisão registou um aumento de 10% nas vendas, atingindo 4.740 milhões de dólares, impulsionado por um volume de envios superior e por ajustamentos positivos de preços. Contudo, o resultado operacional desceu para 604 milhões, penalizado pela escalada dos custos de produção e pelos efeitos das tarifas, o que fez cair a margem de 15,3% para 12,7%.

A Agricultura Mediana e Turf apresentou também um crescimento das vendas, que subiram 7% para 2.457 milhões de dólares. O impacto nos resultados operacionais foi, porém, muito mais severo: o segmento fechou o trimestre com apenas 25 milhões de dólares de lucro operacional, uma queda de 89% face ao ano anterior, devido ao aumento das despesas de garantia e ao agravamento dos custos de produção e das tarifas cobradas sobre componentes estratégicos.

Já o setor de Construção e Maquinaria Florestal mostrou o dinamismo mais acentuado do período, com as vendas a aumentarem 27% para 3.382 milhões de dólares. O resultado operativo evoluiu positivamente, atingindo 348 milhões, ligeiramente acima do ano anterior, apesar de a empresa referir que os custos de produção também aqui absorveram parte dos ganhos gerados pelo maior volume e mix de vendas favoráveis.

No segmento de Serviços Financeiros, o trimestre fechou com um lucro de 293 milhões de dólares, 69% acima do registado em 2024. A empresa justifica esta evolução com margens financeiras mais robustas, efeitos pontuais e a redução das provisões de crédito, num reflexo direto da melhoria da qualidade da carteira de financiamento dos clientes.

Perspetivas para 2026: descida na agricultura extensiva, estabilidade nos restantes mercados
Para 2026, a Deere & Company antecipa um lucro líquido situado entre 4.000 e 4.750 milhões de dólares. A administração considera que o próximo exercício marcará o ponto mais baixo do ciclo no segmento de agricultura extensiva, área onde as tarifas continuarão a pressionar custos e margens.

Paralelamente, a empresa prevê estabilidade ou um crescimento ligeiro na agricultura de média dimensão e no turf, tanto nos Estados Unidos como na Europa, onde o mercado deverá permanecer plano ou crescer até 5%. Na América do Sul, o mercado de tratores e ceifeiras-debulhadoras deverá manter-se estável, enquanto na Ásia se espera uma contração de cerca de 5%.

Na construção e maquinaria florestal, a John Deere espera um ano de estabilidade global, com potenciais crescimentos até 5% nos equipamentos de construção e construção compacta na América do Norte. As previsões internas por segmento apontam para uma descida de 5% a 10% nas vendas de Agricultura Extensiva e de Precisão, enquanto Agricultura Mediana e Turf deverá crescer cerca de 10%, tal como o segmento de Construção e Florestal. No setor financeiro, a empresa estima um lucro líquido na ordem dos 830 milhões de dólares.

Leitura estratégica para o setor
Para a Europa, e em particular para mercados como o português, a estabilidade prevista nas linhas de Agricultura e Turf sugere que 2026 poderá ser um ano de normalização, com a oferta a ser gerida de forma mais seletiva, mas sem expectativa de retração significativa. A gestão apertada de inventários e de custos por parte da John Deere indica também um foco crescente na eficiência e na proteção de margens, num período em que a empresa procura posicionar-se para a recuperação do ciclo nos anos seguintes.

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