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FederUnacoma acredita que a contração atual da procura por tratores é cíclica

27/01/2026

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Mariateresa Maschio, presidente da FederUnacoma (Federazione Nazionale Costruttori Macchine per l’Agricoltura), aponta as “políticas protecionistas”, as sanções económicas, as interferências em rotas comerciais e as “guerras tarifárias”, como fatores que estão a fragmentar os mercados mundiais e a provocar uma desaceleração do comércio, com impacto direto no desempenho do setor da maquinaria agrícola.

EUA, Alemanha, França e Reino Unido em queda

Os dados disponíveis relativos a 2025 mostram uma retração nos principais mercados ocidentais. Nos Estados Unidos, afetados por novas barreiras tarifárias, as vendas recuam 10%, para 196.000 tratores (217.000 em 2024), o pior resultado dos últimos 13 anos. A Alemanha também desce 12,2% (cerca de 26.000 unidades registadas), tal como a França (-14%, 24.000 unidades até novembro) e o Reino Unido (-14,2%, 9.000 unidades).

Itália e Espanha recuperam, mas Índia supera 1,1 milhões de tratores

Em contraciclo, surgem sinais de recuperação no sul da Europa: Itália fecha o ano com mais de 17.500 registos e um crescimento de 17,3%, enquanto Espanha sobe 29,3%, com cerca de 10.000 tratores (dados até novembro).

O maior destaque continua a ser a Índia, que atinge um máximo histórico nos últimos 12 meses com cerca de 1,1 milhões de tratores, um aumento de 20,9% face a 2024, mantendo-se como o maior mercado mundial em volume.

Procura potencial mantém-se elevada

A FederUnacoma sustenta que a contração atual é sobretudo cíclica e não traduz uma quebra real da procura, que permanece elevada. A presidente lembra que, para responder às necessidades alimentares globais, a produção agrícola terá de crescer mais 14% até 2034, com maior pressão em regiões como a Índia, Norte de África, África Subsaariana e Médio Oriente, crescimento esse que dependerá de maior mecanização e da difusão de tecnologias digitais.

África, Ásia e América Latina puxam pela recuperação 

A associação estima uma recuperação do comércio global de máquinas agrícolas entre 2026 e 2029, com um crescimento médio anual de 1,9%, atingindo os 92,5 mil milhões de euros no final deste período. As regiões com maior subida prevista são a África Subsaariana (+4,8%), a Ásia (+3,8%) e a América Latina (+2,9%) .

Neste novo mapa, os fabricantes chineses reforçam a sua posição: lideram o fornecimento à África Subsaariana (35% de quota) e à Ásia (41%), têm 17,4% na América Latina e já representam 9,3% no mercado europeu.

Mariateresa Maschio antecipa um setor “altamente segmentado”, com tecnologias básicas de baixo custo a coexistirem com soluções avançadas para operações complexas, defendendo incentivos à I&D e à aquisição de máquinas, bem como políticas económicas que liberalizem o comércio e reforcem a cooperação entre países, temas que estarão no centro das atenções na próxima edição da EIMA.

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