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AGCO revê em baixa as perspetivas para 2026 perante procura mais fraca

04/08/2026

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Com presença em mais de 140 países através de marcas como Fendt, Massey Ferguson e Valtra, a AGCO fechou o segundo trimestre de 2026 num contexto de menor investimento em maquinaria agrícola, refletido em vendas praticamente estáveis e numa revisão em baixa das previsões para o conjunto do ano.

Segundo Eric Hansotia, presidente e diretor executivo da AGCO, a revisão das previsões reflete um contexto em que muitos agricultores continuam a adiar decisões de investimento: "Os agricultores continuam a enfrentar pressão devido aos elevados custos de produção, à rentabilidade desigual entre culturas e à incerteza macroeconómica, o que tem levado ao adiamento dos investimentos em maquinaria e limitado a visibilidade quanto à recuperação da procura", afirmou Eric Hansotia, presidente e diretor executivo da AGCO", afirmou o presidente e diretor executivo da AGCO, Eric Hansotia.

As vendas líquidas da AGCO totalizaram 2,6 mil milhões de dólares entre abril e junnho, um recuo de 1% face ao mesmo período do ano anterior. Excluindo o efeito favorável das taxas de câmbio, a quebra ascende a 3,7%. O resultado líquido atribuído ao grupo fixou-se nos 77,2 milhões de dólares, enquanto o lucro por ação ajustado atingiu os 1,43 dólares.

Procura continua desigual entre os principais mercados

A evolução da procura por maquinaria agrícola continua a revelar ritmos muito distintos entre os principais mercados mundiais.

Na América do Norte, as vendas de tratores recuaram 9% e as de ceifeiras-debulhadoras diminuíram 7%, num mercado que continua condicionado pela prudência dos agricultores perante a volatilidade dos rendimentos agrícolas e a incerteza quanto à evolução dos custos de produção.

Na América do Sul, o abrandamento foi ainda mais expressivo. No Brasil, um dos maiores mercados agrícolas do mundo, as vendas de tratores caíram 11%, enquanto as ceifeiras-debulhadoras registaram uma quebra de 39%. Segundo a AGCO, a redução da rentabilidade em várias culturas, aliada ao aumento dos custos de financiamento, continua a limitar a capacidade de investimento dos produtores na renovação do parque de máquinas.

A Europa Ocidental foi a única região a contrariar esta tendência. As vendas de tratores cresceram 3% nos primeiros seis meses do ano, impulsionadas sobretudo pelo Reino Unido e pelos países escandinavos. A fabricante considera que o envelhecimento do parque de máquinas, a par da melhoria dos rendimentos em alguns setores pecuários durante 2025, continua a sustentar a procura por novos equipamentos, embora admita que os custos de produção e a incerteza económica possam voltar a condicionar as decisões de investimento nos próximos meses.

Perante este enquadramento, a AGCO garante continuar a alinhar os níveis de produção com a procura efetiva, reduzindo os inventários na rede de concessionários e mantendo uma gestão rigorosa dos custos operacionais e do fundo de maneio.

Previsões revistas para 2026

Face ao contexto atual, a AGCO reviu em baixa as previsões para o conjunto de 2026 e estima agora alcançar vendas entre os 10,1 e os 10,2 mil milhões de dólares e uma margem operacional ajustada de cerca de 7,5%, reduzindo igualmente a previsão de resultados ajustados por ação para um intervalo entre os 5,50 e os 5,75 dólares.

Sem antecipar uma recuperação rápida da procura, a AGCO garante ajustar a produção ao ritmo do mercado, controlar os custos e os inventários e investir em tecnologia, procurando reforçar a competitividade das suas marcas enquanto persistir a atual conjuntura.

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