PUBLICIDADE
08-09-2008

Mosca da fruta atacou 6 mil toneladas de laranja e pode alastrar a outras frutas
Fonte: Lusa


A praga da mosca do Mediterrâneo, também conhecida por "mosca da fruta", estragou este ano no Algarve cerca de seis mil toneladas de citrinos e caso não sejam tomadas medidas urgentes a calamidade pode alastrar-se a nível nacional.

"Se não conseguirmos conter a mosca da fruta, as populações destas pragas vão crescer de forma geométrica e matar as culturas frutícolas de todo o país", alertou há dias o presidente da União de Produtores Hortofrutícolas do Algarve (Uniprofrutal), Eduardo Ângelo.

"A mosca da fruta está para a agricultura como a gripe das aves está para a pecuária", admitiu Eduardo Ângelo, referindo que há 300 espécies de frutas que podem ser afectadas pela praga da mosca do Mediterrâneo, entre as quais a maçã, vinha e pêra.

Em declarações à Lusa, o responsável defendeu que Portugal e outros países da Bacia Mediterrânica têm de fazer um esforço junto da União Europeia para "reequacionar uma nova forma de luta contra a mosca da fruta", porque não "basta proibir o uso de determinados pesticidas", sustentou.

"Não estamos contra a melhoria das práticas, mas esta tem de ser acompanhada com a introdução de outras práticas de combate à mosca que sejam sustentáveis e com investigação", adverte o responsável da Uniprofrutal, acrescentando que que o sector está "um pouco desprotegido".

Castelão Rodrigues, responsável pela Direcção Regional da Agricultura e Pescas do Algarve (DRAPAlg) admitiu à Lusa, por seu turno, que este ano "foi propício ao aparecimento da mosca da fruta" e as causas apontadas são as temperaturas amenas registadas este Verão.

O facto de os agricultores terem deixado até Setembro a fruta nas árvores em vez de as recolherem para as arcas frigoríficas é outra das causas que levou a que cerca de seis mil toneladas de laranja nesta campanha de Verão se estragassem. "Em Julho e Agosto houve um acréscimo de fruta atacada pela mosca, porque a fruta não foi metida em arcas frigoríficas", mencionou o director da DRAPAlg.

Para combater a praga, Castelão Rodrigues disse que há cerca de um mês os citricultores propuseram um novo pesticida para lutar contra a mosca do Mediterrâneo - Spmozad - e que o Ministério da Agricultura autorizou que fosse aplicado, mas apenas no Algarve.

A gama de pesticidas foi "muito restrita" pela União Europeia, nomeadamente foi proibida desde 2003 a aplicação do Dimitoato, produto que os agricultores aplicavam até à altura na laranja para combater as pragas, explicou Castelão Rodrigues.

A região do Algarve produz cerca de 300 mil toneladas de laranja por ano, mas este ano uma parte - cerca de seis mil - ficou estragada devido à mosca da fruta.